Confiança das empresas europeias na China melhora, mas persistem desafios — inquérito

Cerca de 68% das empresas europeias na China afirmam que fazer negócios no país asiático tornou-se mais difícil em 2025, embora alguns indicadores revelem uma ligeira melhoria após vários anos de deterioração contínua, segundo um inquérito divulgado hoje.

Executive Digest com Lusa

Cerca de 68% das empresas europeias na China afirmam que fazer negócios no país asiático tornou-se mais difícil em 2025, embora alguns indicadores revelem uma ligeira melhoria após vários anos de deterioração contínua, segundo um inquérito divulgado hoje.


O Inquérito de Confiança Empresarial 2026, realizado pela Câmara de Comércio da União Europeia na China, com dados recolhidos entre janeiro e abril deste ano, indica que a intensidade da deterioração nas condições de negócio abrandou pela primeira vez desde o fim da política chinesa de “covid zero”.


O relatório alerta, no entanto, que a confiança empresarial continua frágil e que persistem obstáculos estruturais em áreas como o acesso ao mercado, regulação, concorrência desigual ou controlos às exportações.


A percentagem de empresas que afirmou que o ambiente de negócios se tornou mais difícil caiu cinco pontos percentuais face ao relatório anterior, mas representa o quinto ano consecutivo em que a maioria manifesta essa perceção.


A Câmara destaca também algumas melhorias parciais. A proporção de empresas que afirmou ter perdido oportunidades de negócio devido a barreiras regulatórias ou de acesso ao mercado caiu nove pontos, para 54%, enquanto a percentagem das que consideram existir igualdade de tratamento face às empresas chinesas subiu quatro pontos, para 60%.

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Além disso, 17% das empresas mostra-se otimista quanto às perspetivas de rentabilidade nos próximos dois anos, mais cinco pontos do que há um ano, enquanto a percentagem das que consideram que o ambiente se tornou mais politizado recuou para 47%, menos cinco pontos.


O grupo empresarial sublinha, porém, que o abrandamento da economia chinesa continua a ser a principal preocupação das empresas europeias: 57% acredita que terá impacto negativo na atividade futura no país.


A isto somam-se a concorrência “insustentável” em alguns setores, ambiguidades regulatórias, exigências de localização, problemas de propriedade intelectual e dificuldades na transferência de dados ou na descarbonização das operações.

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O relatório reflete ainda a crescente sensibilidade das empresas às tensões geopolíticas e comerciais. Cerca de 35% prevê afetação pelas tensões entre a China e a União Europeia, enquanto 32% afirma que as empresas ou os fornecedores já sofreram impactos do regime chinês de controlo das exportações.


Além disso, 22% receia que mais materiais ou bens fiquem sujeitos a essas restrições.


A China foi apontada como um dos três principais destinos globais de investimento atual por 53% dos inquiridos, o valor mais baixo registado por este indicador, enquanto 45% afirmou já ter ajustado ou estar a considerar ajustar a estratégia de investimento no país.


A publicação surge num contexto de fricções persistentes entre Pequim e Bruxelas devido ao desequilíbrio comercial, restrições de acesso ao mercado, controlos chineses sobre exportações estratégicas e investigações e medidas comerciais recíprocas em setores considerados sensíveis.

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