Creches gratuitas, menos isenções no IMI, mais escalões no IRS. OE já tem 157 propostas de alteração

No primeiro dia de entrega de propostas de alteração ao Orçamento do Estado para discussão na especialidade, os partidos entregaram 157 sugestões.

Revista de Imprensa

Só esta segunda-feira, no primeiro dia de entrega de propostas de alteração ao Orçamento do Estado (OE) para discussão na especialidade, os partidos entregaram 157 sugestões, avança o “Público”.

Segundo o jornal, o PAN foi o partido que mais propostas apresentou: 45 medidas. Já o Bloco de Esquerda (BE) entregou 38 medidas, incluindo as que já consensualizara com o Executivo antes da votação do OE. O PCP submeteu 37 medidas em diversas áreas, mas com algum destaque para os impostos sobre os rendimentos. O Livre e o PEV também apresentaram propostas de alteração. Só a direita ainda não mostrou trabalho. 

Da esquerda à direita, o que está em cima da mesa?

Nas dezenas de recomendações entregues há vários pontos de convergência. O “Público” adianta que quer o partido de Jerónimo de Sousa, quer o partido de Catarina Martins querem ver progressivamente reduzido o IVA da electricidade e gás até à taxa reduzida, por exemplo. Mas também há diferenças: enquanto o Bloco de Esquerda defende a descida do tecto máximo das propinas em 20% (de 871 euros para 697 euros) nas licenciaturas, o PCP prefere manter o valor da propina de 2018/2019 como referente para cálculo das bolsas e duplicar para 30 milhões de euros o valor de investimento para novas residências para estudantes.

O Bloco também quer acabar com outros benefícios fiscais, nomeadamente a isenção do Imposto Sobre Imóveis para os partidos políticos. Já na lista de medidas entregues pelo PCP defende-se um aumento de 200 euros no limite das deduções à colecta, a subida do mínimo de existência para 9706 euros, o englobamento de rendimentos acima dos 100 mil euros, transformar a taxa de solidariedade no oitavo escalão do IRS, e actualizar os escalões pelo 1% previsto para este ano.

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Na área da saúde, os bloquistas começam pelo fim das taxas moderadoras já em este ano para as consultas nos centros de saúde e querem que o Governo garanta a distribuição gratuita de bombas de insulina para maiores de 18 anos com diabetes tipo I, pede mais investimento para equipamentos «onde o recurso a convencionados custa quase 500 milhões de euros por ano ao SNS [Serviço Nacional de Saúde] e um plano nacional de saúde mental.

Quer o BE como o PCP concordam na necessidade de investir na produção de medicamentos. Mas enquanto o PCP defende a criação do Laboratório Nacional do Medicamento, o Bloco propõe o reforço do Laboratório Militar.

Os comunistas defendem também um plano para a criação faseada de uma rede pública e gratuita de creches em todo o país​ e que defina as medidas necessárias para alcançar a gratuitidade da frequência de creche para todas as crianças até 2023.

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O PCP pede ainda um reforço para as verbas para o programa de redução do preço dos passes sociais para os 163 milhões de euros e a eliminação das portagens nas ex-SCUT. Já o Bloco recomenda a isenção de cobrança de taxas de portagens da via Infante/A22, no Algarve.

Em matéria de trabalho, enquanto o PCP defende a contabilização integral do tempo de serviço congelado às carreiras especiais ao longo de seis anos, o Bloco vai levar para a mesa das negociações a proposta dos 25 dias de férias. O Bloco vai também insistir na redução de dois meses na idade da reforma por cada ano de trabalho para quem trabalha neste regime ou em horário nocturno e a diminuição da idade da reforma para pessoas com deficiência (com um grau de incapacidade superior a 60%) a partir dos 55 anos de idade e com 20 anos de descontos.

Os comunistas vão batalhar num aumento de 10 euros para todas as pensões de invalidez, velhice e sobrevivência atribuídas pela Segurança Social e para as pensões de aposentação, reforma e sobrevivência do regime de protecção social convergente atribuídas pela Caixa Geral de Aposentações.

A eliminação do factor de sustentabilidade no caso das pensões antecipadas para os trabalhadores que já acederam à reforma e que quando tinham 60 anos já tivessem pelo menos 40 anos de descontos e nas pensões para as profissões de desgaste rápido é defendida por ambos.

A pensar nas forças de segurança, o PCP defende a contratação de 1500 elementos para a PSP e de 1100 para a GNR e a criação do subsídio de risco para as forças de segurança e revisão dos suplementos remuneratórios e os bloquistas querem acabar com os descontos feitos para beneficiar dos subsistemas de saúde dos militares das Forças Armadas, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública.

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Nas propostas entregues pelo BE, consta também uma medida que apela à proibição da incorporação de biocombustíveis produzidos a partir de óleo palma a partir do próximo ano, o reforço da verba para vigilantes florestais de dois milhões de euros para quase o dobro e reforço da verba para o Tribunal Constitucional em 646 mil euros para garantir a criação da Entidade da Transparência.

A proposta do Governo do OE para 2020 foi aprovada na generalidade, na passada sexta-feira, 10 de Janeiro, após dois dias de debate na Assembleia da República, em Lisboa. O OE20 contou com os votos favoráveis do PS e a abstenção do Bloco de Esquerda, PCP, Verdes, PAN, Livre e PSD/Madeira. Já os partidos à direita votaram contra.

Segundo o calendário para debate e votação aprovado no Parlamento, a votação global do documento acontece a 6 de Fevereiro. Até lá, haverá negociações no Parlamento. Este calendário tem como meta a entrada em vigor do OE a 1 de Março.

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