O ex-patrão da Nissan e da Renault, Carlos Ghosn, vai dar na quarta-feira uma conferência de imprensa no Líbano, a primeira desde a fuga do Japão, onde enfrenta acusações de irregularidades financeiras, confirmou a “Efe” junto dos porta-vozes do antigo gestor.
Ghosn, de 65 anos, ia ser julgado este ano, estando acusado dos crimes de desvio de dinheiro, fraude fiscal e gestão danosa, mas fugiu para o Líbano para livrar-se da «injustiça e perseguição política» de que diz ser vítima. De acordo com a imprensa japonesa, Ghosn apanhou, no passado dia 29 de Dezembro, um comboio entre Tóquio e Osaka, de onde embarcou num avião particular com destino a Istambul, Turquia. No dia seguinte, rumou a Beirute, no Líbano, num outro avião.
As autoridades libanesas garantem que o empresário entrou legalmente no Líbano e lembram que não há acordo de extradição com o Japão. Porém, o Líbano recebeu na passada quinta-feira um aviso vermelho da Interpol (solicitações às agências policiais em todo o mundo para que localizem e detenham provisoriamente um fugitivo procurado), relativo a Ghosn. Assim, o empresário deverá ser chamado na próxima semana ao Ministério Público, referiu uma fonte judicial à agência de notícias “France-Presse”.
Recorde-se que o ex-magnata do sector automóvel foi preso pela primeira vez em Novembro de 2018 e ia ser julgado este ano, estando acusado dos crimes de desvio de dinheiro, fraude fiscal e gestão danosa. De acordo com a acusação, não reportou cerca de 82 milhões de dólares (73 milhões de euros) em salários e transferiu perdas financeiras pessoais para a Nissan.
Foi libertado a 6 de Março do ano passado, após pagar uma fiança. No entanto, no mês seguinte, foi novamente preso. Ainda em Abril, voltou a sair da prisão mediante o pagamento de nova caução, ficando em prisão domiciliária, impedido de sair do Japão e de contactar a mulher, Carole Ghosn.





