Os donativos que deveriam ter como destino programas de apoio aos mais pobres estarão a ser utilizados para combater o défice orçamental do Vaticano. Segundo avança o Wall Street Journal, apenas 10% dos donativos entregues através do Óbolo de São Pedro (campanha de solidariedade liderada pelo Papa) vai, de facto, para obras de caridade.
Dos mais de 50 milhões de euros angariados anualmente, grande parte acaba por ser utilizada para tapar o buraco nas contas do Vaticano. Fontes citadas pela mesma publicação adiantam que este fenómeno está a deixar alguns dos principais responsáveis da Igreja Católica preocupados: consideram que os fiéis estão a ser enganados, o que poderá afectar ainda mais a credibilidade do Vaticano e da forma como as suas finanças são geridas.
A lei da Igreja indica que os fundos angariados através do Óbolo de São Pedro podem ser utilizados da forma que o Vaticano entender. No entanto, o modo como a campanha é apresentada leva os fiéis a crer que estão a contribuir para melhorar a vida de pessoas em situações de pobreza.
O défice da Santa Sé duplicou em 2018, tendo chegado a 76 milhões de dólares (cerca de 68,3 milhões de euros). Recorde-se ainda que, no mês passado, o Papa Francisco substituiu o principal responsável pela regulação financeira do Vaticano, na sequência de uma polémica relacionada com os investimentos da Santa Sé no sector imobiliário de Londres.














