Carne de laboratório chega à mesa dos consumidores já no próximo ano

Há quem lhe chame “carne artificial”, “carne celular” ou “carne de laboratório” – é feita a partir de células-tronco de vacas, galinhas, porcos e até peixes – e será uma realidade para muitos portugueses já em 2020.

Executive Digest

aHá quem lhe chame “carne artificial”, “carne celular” ou “carne de laboratório” – é feita a partir de células-tronco de vacas, galinhas, porcos e até peixes – e será uma realidade para muitos portugueses já em 2020.

A norte-americana Just espera “estar em alguns restaurantes em 2020 e em supermercados com maior distribuição a partir de 2023”. Vítor Espírito Santo, um português de 35 anos, é o diretor do departamento de Agricultura Celular da empresa e revela ao Expresso que o frango já está pronto a ser comercializado em pequena escala. Já a carne de vaca estará pronta no próximo ano.

Beckie Calder-Flynn, coordenadora de operações da Mosa Meat, garante ao Semanário que a empresa prevê fazer chegar o seu produto aos consumidores já em 2021. “Estamos a trabalhar na engenharia dos nossos equipamentos para produzir em larga escala e estamos a fazer os ajustes científicos finais na preparação da nossa carne”, refere, acrescentando que “quanto maior for a escala menor será o custo” para os consumidores. A empresa prevê, aliás, que a comercialização irá baixar o preço de um hambúrguer para €9, valor que, ainda na próxima década, passará a rondar €1. Mas ainda será necessário “passar pelo processo regulamentar da União Europeia (UE)”. Se houver atrasos, a Mosa Meat admite ter de adiar a comercialização para 2022.

Mas quais são os benefícios do consumo desta carne? “a menor pegada ecológica, o facto de não implicar o uso de antibióticos ou tratamentos hormonais, e também, é claro, de poupar os animais à matança desnecessária”, realça o presidente da Associação Portuguesa Vegetariana, Nuno Alvim.

Há cinco anos, recorde-se, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura previu um aumento de 70% do consumo de carne entre 2011 e 2050, sendo que esta indústria é responsável por 14,5% dos gases com efeito de estufa.

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É aliás graças à proliferação da mensagem da sustentabilidade ambiental, que estas opções vão ganhando terreno. As comidas vegetarianas, por exemplo, deixaram de ser remetidas para um canto do menu. Nos países ocidentais, passaram mesmo de parente pobre a estrela da companhia, atraindo um número cada vez maior de consumidores preocupados com o clima.

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