Autoridades israelitas confirmam detenção do diretor do hospital Al-Shifa

Fonte militar israelita acrescentou que o Hamas “utilizou o hospital como refúgio para os seus terroristas” após os ataques realizados em 7 de outubro contra Israel

Executive Digest com Lusa

O exército israelita confirmou hoje a detenção do diretor do hospital Al-Shifa, Mohammed Abu Salmiya, justificando que a unidade hospitalar, a maior da Faixa de Gaza e gerida diretamente pelo detido, funcionava como sede do grupo islamita Hamas.

“A organização terrorista Hamas utilizou muitos recursos, incluindo eletricidade, para manter o sistema de túneis construído sob o hospital”, referiu o Exército, num comunicado, antes de indicar que o grupo islamita palestiniano “armazenou muitas armas dentro e em redor do hospital”.



A fonte militar israelita acrescentou que o Hamas “utilizou o hospital como refúgio para os seus terroristas” após os ataques realizados em 7 de outubro contra Israel e que “transferiu pessoas sequestradas para o local no dia do massacre”.

O Exército israelita insistiu que o hospital Al-Shifa foi cenário de “extensas atividades terroristas” do Hamas “sob a gestão” de Mohammed Abu Salmiya, acrescentando que a decisão sobre o período da detenção do diretor hospitalar dependerá da investigação e do seu possível “envolvimento em atividades terroristas”.

As autoridades da Faixa de Gaza, enclave palestiniano controlado pelo Hamas desde 2007, denunciaram hoje a detenção de Abu Salmiya juntamente com outros profissionais de saúde do hospital Al-Shifa, afirmando que esta ocorreu durante a evacuação das instalações.

Posteriormente, anunciaram a suspensão da coordenação com a Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo seu papel no processo de evacuação daquela unidade hospitalar.

O porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, Ashraf al-Qidra, sublinhou que a organização do sistema da ONU estava a “coordenar” a retirada das pessoas que se encontravam no hospital “sujeitas ao cerco, assalto e destruição por parte das forças de ocupação, que as privaram de comida, água, remédios, eletricidade e segurança”.

“Ficámos surpreendidos com o facto de a coluna [de veículos] ter sido intercetada durante cerca de sete horas num posto de controlo da ocupação que separa o norte do sul da Faixa de Gaza, onde se registaram casos de extrema violência contra os doentes, respetivos acompanhantes e o pessoal médico”, afirmou a mesma fonte, referindo ainda que o facto de a evacuação ter sido efetuada sob a bandeira da ONU “induziu em erro as equipas médicas e fê-las confiar na sua coordenação para retirar os feridos e os trabalhadores médicos”.

“A ONU tem total responsabilidade por tais acontecimentos e esperamos medidas apropriadas e urgentes da sua parte para resolver a situação”, afirmou Ashraf al-Qidra, anunciando a suspensão da retirada dos restantes feridos e equipas médicas “até que seja enviado um relatório que explique o que aconteceu e os detidos sejam libertados”.

O Exército israelita invadiu o hospital Al-Shifa em 15 de novembro, após vários dias de cerco, alegando ter encontrado provas da existência de túneis e de instalações utilizadas pelo Hamas no centro hospitalar. A ação israelita suscitou críticas a nível internacional.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.