Será que temos um Orçamento de Estado amigo do setor automóvel?

Opinião de Luís Rosa, Diretor Coordenador Nacional da DS AUTO

Executive Digest

Por Luís Rosa, Diretor Coordenador Nacional da DS AUTO

O Orçamento de Estado é um instrumento financeiro fundamental para qualquer nação, pois estabelece as diretrizes de despesas e receitas para um determinado período. Em Portugal, como não podia deixar de ser, o Orçamento de Estado desempenha um papel crucial na gestão da economia do país e, tal como noutros setores, no setor automóvel, o Orçamento pode influenciar significativamente o comportamento dos consumidores, a produção e o mercado.



O Orçamento de Estado de Portugal previsto para 2024 terá grandes impactos no que diz respeito ao setor automóvel, com foco para o incentivo ao abate de veículos com matrículas anteriores a 2007 e no agravamento do Imposto Único de Circulação (IUC) e do Imposto sobre Veículos (ISV).

Este incentivo ao abate de veículos com matrículas anteriores a 2007 é justificado pelos benefícios ambientais que a renovação da frota pode trazer, no entanto a lista de contrapartidas ainda não é clara. Os detalhes sobre o incentivo, como montante, elegibilidade e procedimentos não me parecem estar balizados o suficiente para que exista uma tomada de decisão em consciência. Depois, importa medir o impacto no mercado de automóveis usados e novos. Sem existir uma pré-avaliação dos resultados dificilmente se conseguirá verificar a real eficácia do incentivo. Mais importante ainda, estarão os portugueses, com a crise que enfrentamos, em condições de trocar de carro nas condições que este incentivo exige?

Passando para a questão do agravamento do IUC e do ISV, o Orçamento do Estado também vai trazer mudanças nestas taxas. Este agravamento afeta os proprietários de veículos e o setor automóvel em geral. Vamos assistir a um impacto nas escolhas dos consumidores e nas vendas de veículos. E, mais uma vez, a eficácia dessas medidas na promoção de veículos mais limpos e eficientes em termos de combustível fica por comprovar.

Em jeito de conclusão, mas com a perfeita noção que muito se irá escrever sobre o tema, até porque já se encontra em circulação uma petição contra o aumento do IUC, fica claro que o Orçamento de Estado de Portugal terá um impacto significativo no setor automóvel, influenciando as decisões de compra dos consumidores e as operações das empresas.

Parece-me que não podemos esperar por notícias positivas no Orçamento de Estado 2024 no que diz respeito aos automóveis. Continuamos a ter um incentivo sério à compra de carro novo e pressiona-se de forma quase que imoral quem não pode comprar um automóvel ou até trocar por um seminovo ou usado, com aumentos enormes no IUC que se vão prolongar durante muito tempo. O incentivo ao abate de veículos mais antigos pode ser uma estratégia eficaz para renovar a frota e reduzir as emissões de carbono, mas é importante avaliar a sua eficácia a longo prazo. Ao mesmo tempo, que o agravamento do IUC e do ISV busca incentivar a adoção de veículos mais limpos, pode afetar negativamente os proprietários de veículos existentes. É crucial encontrar um equilíbrio entre incentivos e penalizações para promover uma transição sustentável no setor automóvel, beneficiando tanto o meio ambiente quanto a economia. Tudo isto sem se perder a noção da atual conjuntura, nacional e internacional, que tantos dissabores está a trazer para a vida da grande maioria dos portugueses.

 

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