O Fórum para a Competitividade alertou esta terça-feira que a subida do valor do salário mínimo nacional (SMN), até 650 em 2023. pode traduzir-se na perda de até 100 mil empregos.
«novas subidas extraordinárias do salário mínimo, sem medidas significativas de aumento da produtividade, podem traduzir-se em aumentos substanciais do número de desempregados (entre 50 mil e 100 mil), da taxa de desemprego (entre um e dois pontos percentuais), bem como numa degradação das contas externas, entre 1,5% e 3% do PIB [Produto Interno Bruto]», refere a nota de conjuntura de Novembro, divulgada hoje.
A associação liderada por Ferraz da Costa acredita que só com «reformas profundas» serão criadas as condições para «uma efectiva subida da produtividade, única forma de dar sustentabilidade a uma subida do salário mínimo e do salário médio».
O Fórum para a Competitividade aponta duas razões pelas quais as anteriores subidas do SMN, entre 2015 e 2019 (19% em termos nominais): porque «a conjuntura externa era excepcional» e o «congelamento anterior desta remuneração tinha criado alguma folga nas empresas».
Agora, «a conjuntura internacional está em clara deterioração, quer devido ao final do ciclo económico, quer a perturbações como a guerra comercial, o Brexit, entre outras». E «já se regista um claro ‘stress’ devido aos anteriores aumentos».
No sector transaccionável (agricultura e indústria), «não há possibilidade de aumentar preços e, na impossibilidade de aumentar a produtividade, haverá destruição do emprego». E há vários riscos, nomeadamente a «forte diminuição de margem das empresas, insolvência de empresas, diminuição do emprego e diminuição das exportações».
Actualmente, estes sectores são responsáveis por 790 mil empregos e por exportações de bens de 57,6 mil milhões de euros.
Recorde-se que o Governo de António Costa aprovou, no mês passado, o aumento do SMN, para 635 euros, em 2020, sem acordo em concertação social.














