A transmissão de ataques ao vivo ou divulgação de vídeos após os ator é comum entre grupos terroristas, como o Hamas, mas uma nova realidade está a ganhar forma no conflito com Israel: elementos do Hamas estão a apropriar-se das contas das vítimas, mortas ou feitas reféns, para fazer transmissões ao vivo, partilhar vídeos de ataques, enviar mensagens com ameaças de morte e de violência e levara cabo ‘guerra psicológica’.
O The New York Tomes descreve esta nova ’tática’ que foi confirmada por 13 famílias israelitas e respetivos amigos, bem como por especialistas em redes sociais (e até por funcionários destas plataformas).
Contam-se quatro casos em que membros do Hamas iniciaram sessão nas contas de reféns para transmitir em direto ataques, no dia 7 de outubro. Desde então vão-se multiplicando os casos, que também incluem infiltração em grupos de Facebook, contas de Instagram e conversas do WhatsApp para fazer ameaças de morte e apelos à violência contra os israelitas.
Há também situações relatadas de chamadas, feitas pelos membros do Hamas, a partir dos telemóveis das vítimas, para familiares, com o intuito de os insultar e ameaçar de morte.
“Não estamos psicologicamente preparados para isto”, lamenta Thomas Rid, professor de estudos estratégicos na Universidade Johns Hopkins.
As famílias contam que, ao verem a notificação de atividade, ficaram com esperança, que depois logo colapsou. “Senti-me confuso. Afinal era mesmo só terror”, conta a amiga de uma das vítimas do ‘golpe’.
O caso a que se refere é o de Gali Shlezinger Idan, que vivia num kibutz perto da fronteira de Gaza. A 7 de outubro a família começou a receber mensagens para verificarem a página de Facebook da mulher.
O que verificaram era para lá de chocantes: a conta da mulher israelita estava a ser usada pelo Hamas para transmitir ao vivo Idan e a família mantidos reféns. Eram ameaçados, enquanto mísseis e tiros atingiam o edifício em que estavam, choravam e abraçavam-se.
Gali aparecia nas imagens com o marido e os dois filhos mais novos. Um deles tinha as mãos com sangue e perguntava pela irmã. Os familiasres que assistiam aterrados, temeram o pior, que se veio a verificar.
A filha mais velha do casal foi encontrada mais tarde morta a tiro. Gali e os filhos acabaram por ser libertados pelos membros do Hamas e deixados em casa, mas o marido ficou à mesma feito refém.












