Pode já ser tarde demais para fazer algo pelo planeta. Uma equipa de investigadores alerta que vários dos« piores cenários climáticos» possíveis já estão a acontecer e são irreversíveis, pelo que o estado actual é de«emergência planetária».
Num artigo publicado na revista «Nature», um dos autores explica que «nove dos 10 pontos críticos identificados há uma década», e que incluem a perda de grandes massas de gelo na Antárctida «que estão a recuar de uma forma irreversível e cujo colapso resultará numa subida de vários metros do nível das águas do mar» e na Gronelândia, a destruição da floresta da Amazónia e a diminuição do gelo no Ártico, «já foram activados».
Mais: a circulação global do oceano Atlântico para o Atlântico está a diminuir. Segundo os investigadores, diminuiu 15% desde meados do século XX, ou seja, não muito longe dos 20% a 40%, a partir do qual se pode esperar uma situação de seca. Nas florestas temperadas, sobretudo na América do Norte, o calor tem vindo a desencadear cada vez mais fogos e surtos de pragas, e nos trópicos deixará de haver recifes de coral caso a temperatura aumente dois graus, avisam.
«Há uma década, identificámos uma série de potenciais pontos críticos e vemos agora que mais de metade foram activados», explicou Timothy M. Lenton, director do Instituto de Sistemas Globais da Universidade britânica de Exeter e um dos autores do artigo. «É possível que tenhamos já ultrapassado o patamar a partir do qual são esperados uma série de eventos que, combinados, podem levar a um efeito dominó com consequências catastróficas. De forma simples, isto significa que as crianças e adolescentes que têm estado tão empenhados nas greves pelo clima têm razão: estamos a assistir a uma série de mudanças potencialmente irreversíveis no clima», acrescenta.








