Ato eleitoral na Eslováquia é “sério teste” às vulnerabilidades das eleições europeias para travar a interferência da Rússia, garante UE

Risco de Moscovo interferir nas eleições europeias do próximo ano é “particularmente grave”, disse Vera Jourová

Francisco Laranjeira
Setembro 27, 2023
12:55

As próximas eleições na Eslováquia vão ser “um sério teste” às vulnerabilidades das eleições europeias à “arma multimilionária de manipulação em massa” que Moscovo utiliza para interferir nas votações através de desinformação online, alertou o principal responsável pelos assuntos digitais da União Europeia.

Os eslovacos vão às urnas este sábado para as eleições parlamentares: a liderar as sondagens está o partido populista Smer-SD liderado por Robert Fico, o polémico antigo primeiro-ministro do país que apoia o fim do apoio militar à Ucrânia. A votação é crucial “porque a abordagem à Rússia ou à Ucrânia é uma linha divisória”, sustentou a vice-presidente da Comissão Europeia, Vera Jourová.



No entanto, a UE vai realizar as suas próprias eleições para o Parlamento Europeu em junho de 2024, sendo que a Polónia também vai a votos para escolher o seu próximo Governo a 15 de outubro, noutro ato eleitoral crítico que poderá influenciar as perspetivas da Rússia no conflito da Ucrânia.

O risco de Moscovo interferir nas eleições europeias do próximo ano é “particularmente grave”, disse Jourová. “O Estado russo envolveu-se na guerra de ideias para poluir o nosso espaço de informação com meias verdades e mentiras para criar uma falsa imagem de que a democracia não é melhor do que a autocracia”, referiu.

De acordo com o jornal ‘POLITICO’, a Comissão Europeia e o regulador eslovaco dos media tiveram uma série de reuniões em Bratislava, no início de setembro, com empresas como a Meta do Facebook, Alphabet do Google e TikTok, dizendo-lhes para investirem mais para conter o problema. A Eslováquia, segundo Jourová, é um “terreno fértil” para as narrativas pró-guerra da Rússia.

A Comissão Europeia divulgou, na passada terça-feira, relatórios detalhados sobre como as redes sociais Facebook, YouTube e TikTok lidaram com as falsidades que circularam online no primeiro semestre de 2023, como parte de um escrutínio regular das plataformas online que assinaram uma carta voluntária de desinformação da UE.

As empresas tecnológicas assinalaram atividades do primeiro semestre de 2023 que apresentavam as características das campanhas de influência patrocinadas pelo Estado russo. O YouTube encerrou mais de 400 canais envolvidos em operações de influência coordenadas ligadas à Agência de Pesquisa na Internet (IRA), patrocinada pelo Estado russo. O TikTok também removeu várias campanhas de desinformação, incluindo uma rede de mais de 3 mil contas falsas da Rússia, seguidas por cerca de 418 mil pessoas que partilharam conteúdo falso em alemão sobre a guerra na Ucrânia e as suas consequências nas economias dos países da UE. Foram também derrubadas 5,9 milhões de contas falsas, principalmente de Espanha, França, Alemanha e Itália, no primeiro semestre do ano.

O LinkedIn também bloqueou o registo de mais de 6,7 milhões de pessoas – a maioria delas provenientes de França, Roménia e Alemanha. Por último, a Meta garantiu que removeu 1,102 milhões de contas falsas globalmente no primeiro semestre de 2023, o que corresponde a cerca de entre 4 e 5% dos seus utilizadores ativos mensais globais.

A rede social ‘X’ tem sido alvo das críticas das autoridades europeias devido à falta de capacidade para conter a desinformação. “o ‘X’ é a plataforma com a maior proporção de posts falsos ou desinformados”, acusou Jourová.

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