Os países ocidentais, para além do apoio financeiro e humanitário, e do fornecimento de armas, tem ajudado a Ucrânia através das sanções impostas à Rússia, que também têm incidido particularmente no ‘corte’ de fornecimento militar a Moscovo. No entanto, a Rússia já conseguiu ultrapassar os efeitos das sanções e controlos das exportações para este país pelo Ocidente e está a expandir rapidamente a sua produção de mísseis.
De acordo com oficiais norte-americanos, europeus e ucranianos, os níveis de produção de mísseis já chegaram a níveis acima do que se verificava antes da guerra, e isso significa uma grande ameaça para a Ucrânia na nova fase da guerra que se combaterá este outono e inverno, sendo expectável que a Rússia intensifique os ataques com os novos mísseis de que dispõe.
Com as sanções aplicadas, a Rússia viu-se obrigada a abrandar drasticamente a produção de mísseis e outro armamento, no início da invasão, mas, no final do ano passado, a produções industrial militar de Moscovo já estava a ganhar novamente tração, segundo indicam fontes militares ao The New York Times.
Os controlos impostos, foram contornados progressivamente por Moscovo, com recurso aos seus serviços de inteligência e Ministério da Defesa, de forma a gerir redes ilegais de contrabando de chips e outros componentes essenciais, que, que os fazem chegar à Rússia através de países como a Arménia ou Turquia.
Com a produção militar em níveis pré-guerra, teme-se que seja um inverno ainda mais frio e escuro do que o ano passado para milhões de ucranianos, com a Rússia, expectavelmente, a reforçar os ataques com mísseis contra infraestruturas energéticas.
Oficias norte-americanos relatam que o Pentágono está a trabalhar para encontrar formas de melhorar as defesas antiaéreas ucranianas, tendo fornecido sistemas Patriot e conseguido que os aliados garantissem munições aéreas S-300, que se revelaram eficazes até agora, mas entretanto foram também já entregues sistemas Avenger e Hawk.
Ainda assim, a Ucrânia não possui sistemas antiaéreos suficientes para cobrir todo o país, por isso há sempre uma escolha a fazer sobre que zona defender.
Por outro lado, Moscovo soube também aproveitas os lucros dos preços elevados da energia, para conseguir financiar o contrabando de microeletrónica e outros materiais ocidentais necessários para o fabrico de mísseis de cruzeiro e outro tipo de armamento de precisão teleguiado. Assim, agora, não só a produção da indústria militar recuperou como também aumentou face a 2021.
Segundo um oficial de defesa europeu, que mantém o anonimato, a Rússia fabricava 100 tanques por ano e agora tem capacidade para fabricar 200, enquanto está a caminho de poder produzir dois milhões de munições de artilharia por ano, mais do dobro do estimado antes da guerra.
Segundo Kusti Salm, do Ministério da Defesa da Estónia, a Rússia já produz mais munições do que os EUA e a Europa conjuntamente, sendo que a produção será sete vezes a de todos os aliados ocidentais juntos. Não ajuda que os custos de produção sejam muito mais baixos (por vezes 10 vezes mais baratos) na Rússia.
Mas há algumas ‘boas notícias’ que dão esperança. Mesmo com o reforço, o ‘stock’ de mísseis russos é limitado, ainda que, por exemplo no que respeita aos Kh-55, seja superior ao início da guerra. Também a escassez de propulsores prometerá ‘travar’ esta avanço russo, bem como a fata de mão-de-obra que o país enfrenta.
Também, assinalam especialista, a velocidade de produção da Rússia ainda não acompanha a rapidez com que os militares gastam munições e equipamentos. Por exemplo, ainda que seja capaz de produzir cerca de dois milhões de munições por ano, a Rússia disparou 10 milhões de munições só no ano passado. Esta discrepância levou Moscovo a procurar fornecimento alternativo para reforçar os stocks, exemplo disso o mais recente acordo de armas com a Coreia do Norte que foi discutido entre Putin e Kim Jong Un, no encontro que os dois tiveram em Vladivostok.














