Os enfermeiros portugueses conseguiram angariar cerca de 784 mil euros para financiar as duas greves cirúrgicas que fizeram ao longo do último ano, mas não foi necessário usar o montante total. Conseguido através de um projecto de crowdfunding, serviu para pagar aos enfermeiros que aderiram às paralisações dos blocos operatórios.
Agora, o que acontece ao que sobrou? Segundo avança o jornal Expresso, o dinheiro terá como destino novas acções de luta pelas reivindicações dos enfermeiros, embora os planos não sejam claros. Sobre os 246 mil euros que sobraram, Catarina Barbosa, uma das responsáveis pelo Movimento Greve Cirúrgica, diz que está a ser delineado um plano mas que nada está fechado – incluindo prazos.
Em entrevista à TSF, indica que não está posta de parte a hipótese de um novo crowdfunding, uma vez que a ASAE considerou esta estratégia legal, para aumentar a verba disponível. Também não dizem que não a novas greves cirúrgicas, sempre com a participação dos sindicatos.
Porém, adianta Nelson Cordeiro, outro dos responsáveis pelo movimento, estão a «jogar com o factor surpresa e a estudar hipóteses que não obriguem à intervenção dos colegas». Em declarações ao jornal Expresso, explica que das reivindicações dos enfermeiros – nomeadamente, melhores condições salariais e de progressão na carreira –, conseguiram apenas a nova carreira de enfermeiro especialista.
O valor ainda no mealheiro deverá servir, por isso, para novas acções de luta pelos objectivos que ainda não conseguiram com as greves. Pedem, por exemplo, o aumento da base salarial de 1200 euros brutos para 1600, bem como a criação de um sistema de conversão dos anos de serviço em pontos para fazer face ao congelamento das carreiras.
A alteração da idade da reforma e as condições de trabalho no Sistema Nacional de Saúde também fazem parte do caderno reivindicativo.














