Rentabilidade aumentou e risco diminuiu: Este é o retrato da banca portuguesa em 2022

A rendibilidade dos bancos (ROE) portugueses aumentou para 9,3% no último trimestre de 2022, uma subida de 4,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2021.

André Manuel Mendes

A rendibilidade dos bancos (ROE) portugueses aumentou para 9,3% no último trimestre de 2022, uma subida de 4,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2021.

De acordo com o Pulse Report da consultora norte-americana Alvarez & Marsal (A&M), relativo ao último trimestre do ano de 2022, conclui que a rendibilidade dos bancos (ROE) aumentou e que a banca portuguesa está a aproximar-se do seu objetivo de rendibilidade de dois dígitos, mantendo-se acima da média europeia de 8%.

Os dados mostram ainda que a margem líquida de juros (Net Interest Income NIM), registou um aumento em comparação com o ano passado para 1,25%, devido ao aumento das taxas, recordando que a partir de meados de 2022, a Euribor ultrapassou o seu intervalo negativo, situando-se acima dos 3%.

A análise revela também que a o risco da banca portuguesa diminui 18 pontos percentuais no período em análise, em comparação com o final de dezembro de 2021, assim como o rácio de NPL (Non-Performing Loans), que diminuiu para 3,16%, acima da média europeia (1,8%).

Os níveis de solvência também diminuíram para 14,72%, principalmente devido ao pagamento de dividendos e aos programas de recompra de ações, revela o Pulse Report.

Continue a ler após a publicidade

“Em termos comparativos, os bancos europeus continuam a apresentar níveis de solvabilidade mais elevados, na ordem dos 15 por cento. Os bancos portugueses terão de avaliar os seus níveis de solvabilidade e resiliência em comparação com os bancos europeus nos testes de esforço de 2023”, defende a A&M.

Numa análise mais específica, os dados mostraram que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) obteve o maior ganho de produtividade em termos de volume de negócios por balcão, tendo reduzido durante 2022 o rácio de NPL em todas as entidades para 3,16%, devido a uma diminuição dos empréstimos não produtivos.

O ranking da Alvarez & Marsal para os grandes bancos é liderado pelo BPI, seguido da Caixa Geral de Depósitos e do Santander. Na análise destaca-se que, em termos de clientes, o Banco BPI e a CGD apresentam os rácios de rendibilidade mais elevados, que o Santander e a CGD apresentam o maior volume de negócio em relação ao total de empregados e uma maior produtividade por balcão, e que o Banco BPI e o Millennium BCP lideram o top 7 dos bancos em clientes digitais.

Continue a ler após a publicidade

Para além disso, o relatório analisou as carteiras Held-To-Maturity (HTM) e a qualidade dos depósitos dos bancos, com o Crédito Agrícola, o Banco Montepio e o Novo Banco a terem mais de 25% de depósitos a prazo HTM sobre depósitos, acima da média da UE de 15,8%.

No que respeita a depósitos de clientes, o Millennium BCP e o Novo Banco têm a maior percentagem de depósitos non-retail, com 30% e 29%, respetivamente.

Sublinham ainda que 26,8% dos depósitos de clientes no setor bancário português são non-retail, o que é inferior à média da UE de 35,20%.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.