A Turquia ameaça expatriar antigos combatentes do grupo extremista Daesh, mesmo que as suas cidadanias sejam revogadas nos países de origem, avança a Reuters.
A garantia foi deixada na manhã desta segunda-feira pelo ministro do Interior turco, Suleyman Soylu, que critica o facto de os Estados europeus não assumirem responsabilidade pelos seus cidadãos do grupo jihadista Estado Islâmico. «Eles [Estados europeus] dizem que os prisioneiros devem ser julgados onde foram presos», mas «não iremos aceitar», disse, referindo que irão mandar de volta para os seus países de origem os terroristas estrangeiros «quer estes revoguem ou não as suas cidadanias».
O alerta surge após a detenção, esta semana, de duas mulheres de nacionalidade holandesa, que solicitaram o repatriamento na embaixada da Holanda em Ancara, mas foram detidas depois de a delegação diplomática ter informado a polícia turca da sua presença. O Governo de Haia solicitou à Turquia a extradição de uma dessas mulheres, mas não da outra. A esta última mulher, que tinha dupla nacionalidade holandesa e marroquina, a Holanda retirou a nacionalidade por suspeita de terrorismo.
Recorde-se que a Turquia iniciou, a 9 de Outubro, uma ofensiva contra a principal milícia curdo síria, as YPG, considerada terrorista para Ancara, mas apoiadas pelos ocidentais na luta contra os jihadistas do Estado Islâmico. Porém, depois de um acordo alcançado pelo vice-Presidente norte-americano Mike Pence, Ancara aceitou suspender a sua ofensiva durante cinco dias a 17 de Outubro. O acordo previa a criação de uma «zona de segurança» de 32 quilómetros de distância da fronteira. «Ao final de um período de 120 horas, os Estados Unidos anunciaram que a retirada das YPG da zona foi alcançada», precisava o ministério turco.
Entretanto, os presidentes russo e turco, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, respectivamente, chegaram a um acordo para controlar a fronteira entre a Turquia e a Síria através de patrulhas conjuntas.







