A Qatar Airways chegou a Portugal em Junho e ainda não encontrou escritórios definitivos. Num espaço de cowork, na Avenida da Liberdade, Alen Mlekuz, recebe de sorriso rasgado naquela que seria a primeira entrevista a um media impresso, no mercado português.
Esloveno de nascença é apaixonado pelo nosso País há muito. Ao ponto de ter querido aprender a língua, quando esteve destacado em Viena de Áustria. Por isso, diz-se feliz por estar por cá a desenvolver o mercado. Chega em passo rápido, traz consigo a réplica do primeiro Boeing da companhia a aterrar em Lisboa, pede desculpa por não ter uma sala da empresa e faz questão de iniciar conversa com sotaque… a brasileiro. «Foi mais fácil aprender português do Brasil», conta, sempre com um sorriso na cara. Não tão fácil – mas em que acredita a 100% – é o desafio que tem em mãos: apresentar a marca a clientes e parceiros, conquistar passageiros, desenvolver o mercado, vender novos destinos e, claro, fidelizar. Sabe que a concorrência é forte mas diz confiar nos atributos que fazem a diferença da marca: «qualidade superior em experiência.»
Numa conversa pouco longa com a Executive Digest – já que há um controlo grande no que toca à passagem de informações e concessão de entrevistas – Alen Mlekuz deixou ainda a garantia de que a companhia veio para ficar.
A Qatar Airways chegou em Junho com uma estratégia bem definida para o mercado português. Quais vão ser os principais trabalhos tendo em vista o crescimento e qual a relevância da entrada neste mercado enquanto operador regular?
A Qatar Airways tem uma estratégia bem definida para a sua presença em todos os mercados onde está inserida. Portugal, conforme temos vindo a afirmar, é um mercado onde já queríamos estar há algum tempo. Por isso, é claro que estamos bastante satisfeitos por termos começado a operar aqui. A crescente importância que o País tem no panorama turístico internacional é um factor a que não somos alheios e a abertura da nossa operação aqui é prova disso. Contamos prosseguir nesta linha e que a evolução da nossa rota Lisboa-Doha se solidifique naturalmente.
Até que ponto é que o mercado português pode funcionar como porta para reforçar na Europa? O que é que ditou a entrada e que investimento esteve envolvido nesta operação?
Sendo uma das companhias aéreas com uma taxa de crescimento mais rápida, estamos sempre a monitorizar de muito perto possíveis oportunidades, quer na Europa, quer noutros continentes. Lisboa era uma das poucas grandes cidades europeias em que ainda não estávamos presentes. Portugal representa hoje qualidade superior em experiência de viagem e hospitalidade, valores que se coadunam com os nossos. Com a abertura desta rota, completamos e reforçamos a nossa presença no mercado europeu, reforço esse que pode, inclusive, vir a aumentar no futuro.
Em muitas das cidades onde operamos, temos vários voos diários para além de alguns voos para destinos sazonais. Trata-se de uma aposta que se revelou ganha e que pode ser aplicada em vários países. As pessoas querem sentir que fazem parte do processo e, na Qatar Airways, procuramos sempre providenciar uma experiência de exce lência, desde o momento de procura de voos até à aterragem no destino final. Isso envolve proporcionar ligações que facilitem a mobilidade dos passageiros.
Quais são as principais rotas a operar e a reforçar?
Doha, sendo a nossa casa-mãe, é também o nosso hub, ou seja, o local de onde partem voos para todo o mundo. Para nomear algumas rotas populares, temos Tailândia, Malásia, Indonésia, Vietname, África do Sul, Namíbia, Moçambique, Seychelles, Maldivas, Austrália ou Nova Zelândia. A rota Lisboa-Doha permite ligar Portugal a uma imensidão de destinos. Além disso, existe sempre a possibilidade de fazer uma escala ligeiramente mais prolongada em Doha e descobrir a cidade e o Qatar, algo que encorajamos. É um local com grande vertente cultural, com praia e deserto, actividades temáticas, adequadas tanto para viagens a título individual como para famílias.
Tem expectativas definidas até final do ano!
As expectativas são determinadas pelas especificidades de cada país. Queremos estabelecer-nos como referência em Portugal, tal como já o somos em tantos outros mercados onde operamos. Isso é consequência de um trabalho que desenvolvemos, não só aqui mas também com toda a nossa estrutura regional e global, em Doha. Temos uma estratégia definida e queremos mostrar em Portugal o motivo de sermos reconhecidos com tantos prémios, incluindo o de Melhor Companhia Aérea do Mundo. Isto aplica-se não só ao grande público mas também à indústria. Os aeroportos, o mercado trade, corporate, os parceiros, queremos envolver todos naquilo que é a nossa visão não só para este ano, mas para o médio-longo prazo.
Mas que balanço até à data? Quais as rotas mais procuradas e por que tipo de viajante…
O balanço é bastante positivo, temos abordado vários segmentos diferenciados, incluindo leisure e corporate. Temos assistido a um crescimento do interesse em todos os nossos destinos-chave em África, Levante, Médio-Oriente, Subcontinente Indiano, Extremo Oriente e também a Austrália.
Para isso, que trabalhos de comunicação foram desenvolvidos e quais os previstos?
Desde que iniciámos a operação em Portugal, temos comunicado em diversos suportes online e offline, com forte presença junto dos diferentes stakeholders, incluindo acções no aeroporto de Lisboa, algumas das quais a decorrer neste momento. Vamos estar também em diferentes eventos da indústria com presença estratégica, implementada com o know-how da equipa. O objectivo passa por adaptar a estratégia global ao mercado local, com as necessidades específicas que este tem. Esta lógica de personalização de conteúdos é essencial para promover os nossos produtos da melhor forma. Temos diversas acções planeadas, obviamente orientadas para divulgar e cimentar a marca, uma vez que estamos em ano de entrada em Portugal.
Com uma pequena equipa já formada, será para recrutar e alargar?
Neste momento, temos uma equipa de excelência, recrutada com grande critério e segundo os nossos padrões. Além da nossa equipa no aeroporto, contamos com área finance, marketing & e-commerce, sales, direct sales e sales support. No futuro, dependendo do crescimento sustentado da operação em Portugal, poderá haver lugar para um alargamento da equipa, em consonância.
E objectivos a prazo?
Ainda estamos numa fase inicial daquilo que pretendemos para a nossa operação em Portugal. Para já, queremos implementar a marca e deixar a nossa imagem de excelência e exclusividade bem patente. Depois disso, uma exploração mais detalhada ao nível da divulgação dos diferentes produtos que temos. Vamos monitorizar a evolução da operação Lisboa-Doha e ver o seu desenvolvimento. Portugal é um mercado que oferece várias possibilidades e estamos atentos a oportunidades que possam surgir.














