Rússia limita festejos do Dia da Vitória “por razões de segurança”. Autoridades temem contra-ataque da Ucrânia

Depois de grandes celebrações do Dia da Vitória em toda a Rússia, no ano passado, que contaram até com o Presidente, Vladimir Putin, nos desfiles, com uma fotografia do pai nas mãos, este ano as festividades vão ser em menor escala.

Pedro Gonçalves

Depois de grandes celebrações do Dia da Vitória em toda a Rússia, no ano passado, que contaram até com o Presidente, Vladimir Putin, nos desfiles, com uma fotografia do pai nas mãos, este ano as festividades vão ser em menor escala.

As autoridades russas justificam a decisão com “razões de segurança” e temendo contra-ataque da forças pró-ucranianas, numa altura em que explosões e incêndio têm ocorrido na Rússia, nas últimas semanas.



No entanto, há rumores de que o número de eventos mais reduzido do que o habitual mostra que o Kremlin está receoso que as celebrações do Dia da Vitória se tornem num palco de protestos e manifestações contra o Governo e contra a invasão da Ucrânia.

Grande pompa e circunstâadas militares costumam ser uma garantia da festa do Dia da Vitória, que assinala a vitória da União Soviética contra a Alemanha nazi, na II Guerra Mundial, a 9 de maio de 1945.

Um dos eventos mais marcantes é a procissão do Regimento Imortal, em que a população marcha com fotografias de familiares que combateram na II Guerra Mundial. Foi precisamente isso que Putin fez no ano passado.

Este ano, a 9 de maio, a marcha do Regimento Imortal “vai ser feito noutros formatos, por razões de segurança”, segundo indicou a organizadora Yelena Tsunayeva.

Em comunicado, a organização sugere que quem queira celebrar os familiares que combateram na II Guerra Mundial, devem colocar as fotografias nos vidros dos carros, colas as imagens em camisolas ou outras peças de roupa ou mudarem as fotos de perfil das redes sociais.

Alguns especialistas apontam que a população descontente com a continuação da guerra na Ucrânia, aproveitasse a procissão para destacar as duras perdas humanas que a Rússia têm sofrido no conflito.

“Se não tivesse sido cancelada, as pessoas certamente iriam para o Regimento Imortal com retratos dos que morreram na Ucrânia, e o número de fotografias recentes acabaria por tornar-se depressivamente grande”, sustenta Dmitry Kolezev, jornalista russo que vive no exílio, por ser perseguido pelo Kremlin.

Também o famoso desfile militar, em que a Rússia exibe o equipamento de guerra na Praça Vermelha, em Moscovo, vai estar fechado ao público. O porta-voz do Kremlin justifica que é para se garantir a segurança, perante a ameaça “de ataques terroristas”.

“Claro que estamos atentos para o facto de o regime de Kiev, que tem estado por detrás de ataques desses, atos terroristas, planear continuar esta campanha. Todos os nossos serviços especiais estão a fazer tudo o que for possível para garantir a segurança”, explicou Dmitry Peskov.

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