Quando os resultados de negócio dependem dos bons resultados do produto

Opinião de Caio Arruda, Product Manager na Volkswagen Digital Solutions

Executive Digest

Por Caio Arruda, Product Manager na Volkswagen Digital Solutions

A importância da gestão baseada em resultados é quase inquestionável numa cultura moderna de desenvolvimento de produto. Afinal, permite-nos ter autonomia para desvendar o que devemos construir para assegurar as necessidades do utilizador e do negócio, em vez de apresentar apenas simples resultados.



Uma empresa de marketplace, em vez de focar-se em garantir uma característica específica, como a possibilidade do utilizador guardar as suas ofertas favoritas, por exemplo, deve concentrar-se nos resultados esperados, como o aumento da taxa de conversão em encomendas concluídas, independentemente da solução final.

Nas equipas de produto, estamos constantemente a falar sobre resultados. Porém, como se consegue descrever a diferença entre resultados de negócio e resultados de produto?

Os resultados de negócio são as métricas que fazem o negócio avançar. Normalmente, constituem os objetivos que as empresas definem como metas. Provavelmente, os resultados de negócio das empresas passam por aumentar as receitas ou a quota de mercado, proteger as receitas ou a quota de mercado, reduzir os custos ou melhorar a margem, ou mesmo evitar custos.

Quem nunca se deparou com notícias como esta? “Empresa X pretende aumentar receitas em Y% este ano”, aqui falamos de resultados de negócio.

Já os resultados de produto, por outro lado, albergam as métricas que nos ajudam a entender se o produto está a fazer o negócio avançar. Por outras palavras, se o produto está a gerar valor para a empresa. Habitualmente, situam-se numa destas categorias: aquisição, ativação, retenção, receita ou referência.

Se não estiver familiarizado, estas são também denominadas Métricas Piratas, ou seja, métricas de comportamento do utilizador que as empresas de crescimento lideradas pela lógica do produto devem estar a cumprir. Têm como finalidade classificar as categorias acima mencionadas: acquisition (aquisição), activation (ativação), retention (retenção), revenue (receita), referral (referência) – ou AARRR (Acquisition, Activation, Retention, Referral, Revenue). Seguindo estas métricas, as empresas garantem um lançamento de produto com sucesso, atraindo e retendo, continuamente, clientes.

“Então, e o valor do utilizador?”, podem estar a perguntar.

Supondo que uma empresa de marketplace deseja aumentar as receitas, um crescimento na aquisição de utilizadores poderia ajudar, certo? Mais utilizadores originam mais transações, mais transações geram mais taxas cobradas e mais taxas equivalem a mais receitas.

Depende sempre do modelo de negócio. Contudo, geralmente, existe uma relação direta entre os resultados de negócio e resultados de produto.

Frequentemente, quando proporcionamos valor para o utilizador, por entendermos as suas necessidades e o seu contexto, e oferecendo-lhe uma excelente experiência, criamos valor para o negócio. Note que o “frequentemente” não significa sempre.

Ao perceber que o objetivo de todas as áreas de uma empresa é gerar valor, é melhor compreendermos a relação direta entre resultados de negócio e de produto — o produto deve contribuir para a empresa, auxiliando-a a atingir as suas metas.

A gestão focada não só em entregas mas também no impacto dessas entregas é a chave para conceber produtos que criam valor para o utilizador e para a empresa. Ao adotar esta abordagem, a equipa ganha autonomia para descobrir o que pode ser produzido para ir ao encontro das necessidades do utilizador e da empresa. Assim que as equipas e os líderes entenderem a conexão entre os dois, podem trabalhar em conjunto de forma a obter resultados impactantes.

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