O grupo bancário espanhol Bankinter teve lucros globais de 185 milhões de euros entre janeiro e março, mais 20% do que nos mesmos meses de 2022, anunciou hoje a entidade.
“Todas as rubricas da conta de resultados registaram crescimentos muito significativos, fruto da subida das taxas de juro, de maiores volumes de negócio e de uma atividade comercial mais orientada para produtos de investimento”, que geram “paralelamente mais comissões”, afirma o Bankinter, num comunicado.
O banco sublinha que conseguiu este “crescimento substancial” apesar de “um contexto de mercado não isento de dificuldades” e do impacto de novas normas de regulação em países onde opera, em especial, o imposto extraordinário e transitório sobre a banca em vigor em Espanha, que no caso do Bankinter se traduziu no pagamento de 77 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano.
O grupo Bankinter teve um resultado global antes de impostos de 294,4 milhões de euros entre janeiro e março, mais 37,4% do que no primeiro trimestre de 2022, e um resultado líquido (lucros) de 184,7 milhões de euros, mais 19,7%.
Em Portugal, onde o Bankinter está desde 2016, quando comprou parte da atividade e a rede comercial do Barclays, o banco teve no primeiro trimestre resultados antes de pagar impostos de 43 milhões de euros, mais 177% do que no primeiro trimestre de 2022.
“O desempenho da atividade comercial foi um êxito em todos os países em que o banco está presente, com especial destaque para Portugal”, lê-se no comunicado do grupo Bankinter divulgado hoje.
O banco diz que, em Portugal, a carteira de crédito concedido chegou aos 8.400 milhões de euros, com um crescimento anual de 17%, e que os recursos de clientes aumentaram 5%, para os 6.600 milhões de euros, entre janeiro e março.
“A conta de resultados registou bons crescimentos em todas as rubricas, com uma margem de juros 114% superior à de há um ano e uma margem bruta 79% acima”, sublinha o Bankinter, em relação a Portugal.
Em termos globais, de todo o grupo Bankinter, os ativos eram, no final de março, 105.945,8 milhões de euros, menos 4,4% do que há um ano, e os empréstimos concedidos alcançaram os 73.074,7 milhões de euros, mais 4,9% do que no mesmo período de 2022.
A margem de juros no primeiro trimestre alcançou os 522,2 milhões de euros (mais 63,2%) e a margem bruta situou-se, no final de março, nos 615,9 milhões de euros, mais 23,3%.
Em relação às hipotecas (empréstimos para comparar casas), afetadas pelo aumento das taxas de juro, o Bankinter diz que no primeiro trimestre do ano, a concessão de novos créditos, globalmente, chegou aos 1.700 milhões de euros, um aumento de 2% em relação aos mesmos meses de 2022.
Com este aumento, o volume de empréstimos para habitação em todo o grupo alcançou os 34.300 milhões de euros no primeiro trimestre, comparando com os 32.000 milhões de euros registados no mesmo período de 2022.
A taxa de morosidade (atraso no pagamento de créditos) global no banco situou-se em 2,18%, uma percentagem que, no caso do mercado espanhol, por exemplo, está abaixo da média de 3,56%, destaca o Bankinter.
A rentabilidade do grupo, medida em termos da designada ROE (rentabilidade sobre capitais próprios), situou-se nos 13,7% no primeiro trimestre do ano, mais quatro pontos do que no mesmo período de 2022.
Quanto à solvência, medida pelo “rácio de capital CET1 fully loaded”, melhorou para 12,2%, acima do requisito mínimo de 7,726% para o Bankinter estabelecido pelo Banco Central Europeu (BCE).
Relativamente à liquidez, o volume de depósitos no Bankinter continua a ser superior ao volume dos empréstimos que tem concedidos, com um rácio de 102,6%.
O grupo Bankinter teve lucros líquidos globais de 560,2 milhões de euros em 2022, mais 28,1% do que em 2021.
Em Portugal, o banco teve resultados antes de contabilizados os impostos (não líquidos) de 78 milhões de euros no ano passado, mais 54% do que em 2021.







