Petróleo a 100 dólares por barril? Saiba quais os países que vão sofrer maiores impactos da subida do preço

OPEP+ anunciou um corte de produção de 1,16 milhões de barris diários, um medida que surpreendeu os mercados de petróleo

Francisco Laranjeira
Abril 6, 2023
14:01

O corte inesperado na produção da OPEP+ fez com que os preços do petróleo disparassem – e que países poderão sofrer mais com este aumento? Segundo os analistas, os grandes importadores, como a Índia, Japão e Coreia do Sul, vão ser mais penalizados se os preços atingirem os 100 dólares por barril.

Recorde-se que no passado domingo a OPEP+ anunciou um corte de produção de 1,16 milhões de barris diários, um medida que surpreendeu os mercados de petróleo. “É um imposto sobre todas as economias importadoras de petróleo”, explicou Pavel Molchanov, responsável do banco de investimento privado Raymond James, em declarações à ‘CNBC’.



“Não seriam os Estados Unidos que mais sofreriam com a petróleo a 100 dólares, seriam os países que não têm recursos domésticos: Japão, Índia, Alemanha, França, isto só para citar alguns dos grandes exemplos”, apontou Molchanov.

Os cortes voluntários dos países produtores de petróleo devem começar em maio e durar até o final de 2023. Tanto a Arábia Saudita quanto a Rússia vão reduzir a produção em 500 mil barris por dia até o final deste ano.

“As regiões mais atingidas pelo corte na oferta de petróleo e pelo salto no preço são aquelas com alto grau de dependência de importações e alta participação de combustíveis fósseis em seus sistemas de energia primária”, referiu o diretor do Eurasia Group, Henning Gloystein.

“Isso significa que os mais expostos são as indústrias de mercados emergentes dependentes de importações, especialmente no sul e sudeste da Ásia, bem como as indústrias pesadas dependentes de superimportações do Japão e da Coreia do Sul”, precisou.

A Europa e a China também estão “altamente expostas”, segundo Gloystein, acrescentando que a exposição chinesa foi um pouco menor devido à produção doméstica de petróleo, enquanto a Europa como um todo depende principalmente de energia nuclear, carvão e gás natural, em vez de combustível fóssil.

Alguns mercados emergentes, que “não têm a capacidade de moeda estrangeira para apoiar essas importações”, também vão sofrer o impacto negativo, garantiu Molchanov, dando o exemplo da Argentina, Turquia, África do Sul e Paquistão.

A meta dos 100 dólares por barril pode estar já no horizonte mas o preço mais alto pode não durar muito, garantiu Molchanov. “A longo prazo, os preços podem ficar mais próximos de onde estamos atualmente” – entre 80 e 90 dólares. “Quando o petróleo atingir os 100 dólares por barril, e permanecer nesse patamar por algum tempo, isso vai incentivar os produtores a aumentar a produção novamente”, finalizou Gloystein.

OPEP+ confirma novo corte da produção de petróleo a partir de maio

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