O mercado dos Picassos está a mudar e as casas de leilões estão atentas

Picasso é um dos nomes mais sonantes de toda a história das artes, tendo produzido 25 mil obras, enquanto os artistas raramente criam mais de 5.000 obras ao longo da vida. No entanto, um fenómeno pode diminuir a procura.

André Manuel Mendes
Abril 4, 2023
15:06

Picasso é um dos nomes mais sonantes de toda a história das artes, tendo produzido 25 mil obras, enquanto os artistas raramente criam mais de 5.000 obras ao longo da vida. No entanto, um fenómeno pode diminuir a procura.

Entre 1950 e 2021, ​​foram vendidos em leilão nos Estados Unidos e no Reino Unido mais de 1.500 Picassos, em comparação com os 798 do segundo artista com mais obras vendidas, Andy Warhol, de acordo com os dados do índice Sotheby’s Mei Moses, o braço de dados de arte da casa de leilões.



As últimas vendas de Picassos da Sotheby’s contemplaram desde uma escultura, um livro ilustrado, um molde de bronze cubista, algumas gravuras e vários desenhos e pinturas, e os preços foram dos 6.000 euros até perto dos 20 milhões.

De sublinhar que, desde 1999, os preços das obras de Picasso cresceram duas vezes mais rápido do que o mercado de arte do século 20, tendo sido o Picasso mais caro vendido por perto de 190 milhões de euros, revela o ‘The Economist’.

No entanto, as casas de leilões estão nervosas com a possibilidade de o longo mercado em alta estar prestes a mudar. De acordo com o crítico Ben Luke, consultado pela mesma fonte, os artistas já não têm como inspiração Picasso, o que é uma “mudança monumental”.

Outro fator que pode diminuir a procura por Picassos é o comportamento do artista em vida, que teve duas esposas e gerou filhos com mulheres diferentes ao mesmo tempo, teve outros relacionamentos, e ilustrou os seus desejos nas suas obras.

As obras de outros artistas como Balthus e Salvador Dalí, perderam valor aos olhos dos críticos e colecionadores por causa da forma como agiam em vida.

Agora, os olhos estão postos na exposição “Celebration Picasso”, no Brooklyn Museum em junho. “Observaremos com muito cuidado”, diz Giovanna Bertazzoni, vice-presidente do departamento de séculos XX e XXI da Christie’s, outra grande casa de leilões, sobre a exposição.

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