Bruxelas, em comunicado, justifica a ‘luz verde’ dada aos apoios estatais de Paris à Renault por considerar que “a medida comunicada por França está em conformidade com as condições estabelecidas no quadro temporário” para este tipo de apoios nacionais.
“A Comissão concluiu que a garantia de empréstimos ao grupo Renault é necessária, adequada e proporcional para minimizar uma perturbação grave da economia de um Estado-membro”, aponta o executivo comunitário.
Segundo a informação dada pelo Estado francês à instituição europeia, em causa está uma “garantia de empréstimo de cinco mil milhões de euros concedida por França ao grupo Renault, permitindo-lhe atenuar os prejuízos sofridos com o surto do novo coronavírus”, o que equivale a uma cobertura estatal de 90% do risco.
“A Renault foi obrigada a encerrar a quase totalidade das suas linhas de produção e a cessar a maior parte da atividade comercial devido às medidas de emergência adotadas pela França para limitar a propagação” da doença, observa a Comissão Europeia.
E, apesar de destacar as “importantes medidas de redução de custos e da colocação de 90% do seu pessoal em ‘lay off'”, Bruxelas admite que a crise provocada pela pandemia afetará “de forma significativa” as contas do grupo automóvel, razão pela qual a fabricante francesa teve de recorrer à “garantia apoiada pelo Estado para assegurar o acesso à liquidez”.
Citada no comunicado, a vice-presidente da Comissão Europeia, Margrethe Vestager, responsável pela política de concorrência, argumenta que este auxílio estatal de França irá “ajudar o grupo a obter a liquidez de que necessita urgentemente devido ao impacto do surto”.
“A Renault é um importante construtor automóvel europeu, que emprega diretamente mais de 73 mil trabalhadores na Europa”, recorda Margrethe Vestager, realçando ainda os investimentos do grupo “na investigação, desenvolvimento e produção da próxima geração de veículos elétricos, cuja implantação é essencial para o cumprimento dos objetivos da UE em matéria de clima”.
Adotado em meados de março passado, este enquadramento europeu temporário para os auxílios estatais alarga o apoio que os Estados-membros poderão prestar às suas economias em altura de crise gerada pela pandemia, em que muitas empresas, especialmente as de pequena e média dimensões, enfrentam problemas de liquidez.
A nível global, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 217 mil mortos e infetou mais de 3,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios. França regista, até ao momento, 23.660 mortos e cerca de 169 mil casos.
(com Lusa)



