Maioria dos europeus preferem que a França (e não a Alemanha) lidere a UE, mostra sondagem

A conclusão é de uma sondagem do Conselho Europeu dos Negócios Estrangeiros, que mostra que a maioria dos europeus conta com a França para reforçar a democracia e os direitos humanos, a defesa e a segurança, as relações com os Estados Unidos, e a economia. 

Simone Silva

A maioria dos europeus (incluindo Portugal) acredita que a França, muito mais do que a Alemanha, deveria liderar a UE a partir de agora. A guerra na Ucrânia acentuou uma confiança na liderança do país que já era evidente noutros desafios coletivos, tais como a pandemia e a crise.

A conclusão é de uma sondagem do Conselho Europeu dos Negócios Estrangeiros hoje avançada pelo ‘La Vanguardia’, que mostra que a maioria dos europeus conta com a França para reforçar a democracia e os direitos humanos, a defesa e a segurança, as relações com os Estados Unidos, e a economia.

Um inquérito anterior sobre a Alemanha realizado pelo mesmo órgão, refletiu uma liderança muito mais fraca. A confiança na liderança alemã limitava-se a questões económicas. Apenas na Hungria e nos Países Baixos havia mais confiança em geral na Alemanha do que em França.

A situação na Europa é agora muito diferente. A invasão da Ucrânia alterou muitas prioridades e acelerou projetos que eram mais teóricos do que práticos. Acima de todos eles está o reforço da soberania estratégica da UE.

Como destacam os autores do estudo Susi Dennison e Tara Varma, há muito que a França lidera o grupo de parceiros da UE que procuram uma integração mais profunda. Em 2018 propôs a Iniciativa Europeia de Envolvimento, o embrião de um sistema de defesa próprio, independente dos EUA.

Continue a ler após a publicidade

Depois de os EUA terem aconselhado a Austrália a cancelar um contrato multi-submarino com a França, este projeto de cooperação militar foi reforçado. Treze países apoiam-no.

A França ganhou várias concessões dos EUA pela perda do contrato australiano. O principal era permitir uma maior coordenação entre os aliados europeus, bem como entre eles e os Estados Unidos.

Desde então, o fluxo de informação tem-se intensificado através do Atlântico, como a crise da Ucrânia sublinhou. A França conseguiu, em grande parte, fazer com que os EUA vissem a Europa como um país igual em questões de segurança e defesa.

Continue a ler após a publicidade

Outra das conclusões da sondagem, revela que a maioria dos cidadãos vê uma forte necessidade de cooperação entre Estados para enfrentar os desafios globais porque acreditam que os sistemas políticos nos seus respetivos países estão debilitados.

80% dos espanhóis, 72% dos portugueses e 69% dos franceses, por exemplo, têm uma opinião muito negativa sobre as suas próprias democracias, que consideram incapazes de defender os seus interesses. Por outro lado, 59% dos europeus acreditam que estar na UE vale a pena.

Numa outra questão, com exceção da Dinamarca e da Alemanha, os cidadãos de todos os outros países inquiridos – Grécia, Estónia, França, Hungria, Itália, Holanda, Polónia, Portugal, Espanha e Suécia – acreditam que a UE funciona melhor do que os seus próprios Estados. Em Portugal 38% dizem que o problema está na UE e 72% aponta para o próprio país.

A liderança francesa na Europa contrasta com a opinião pobre que 34% dos franceses – mais do que em qualquer outro país – têm da União Europeia. Dennison e Varma explicam que esta contradição é justificada pela falta de conhecimento da sociedade francesa sobre a forma como a UE realmente funciona.

A sondagem aponta muito claramente que o próximo presidente francês terá um mandato claro dos europeus para construir a soberania estratégica da UE. Os autores do estudo acreditarem que é necessário para a França “lutar por uma Europa mais inclusiva e participativa”.

Continue a ler após a publicidade

No entanto, isto não será fácil porque “o sistema político da Quinta República tem um presidente que acredita na verticalidade do poder e um parlamento que não assume o papel compensatório de que o país necessita”.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.