Estudantes africanos que fugiram da Ucrânia desde que começou a invasão por parte da Rússia encontram-se detidos em centros de autoridades fronteiriças de países da União Europeia.
Uma investigação realizada pelo The Independent em parceria com a Lighthouse Reports revela que alguns destes refugiados africanos estão detidos há várias semanas.
Pelo menos quatro estudantes estão num centro de detenção na cidade de Lesznowola, na Polónia. Têm poucos meios para comunicar e não têm qualquer aconselhamento legal.
Um dos estudantes de origem africana contou que foram travados pelas autoridades ao atravessarem a fronteira e que “não tiveram alternativa” a assinarem um documento que não sabiam o que era. Depois foram detidos e levados para o centro, sem saberem durante quanto tempo vão ter de permanecer ali.
Um dos casos é de um cidadão nigeriano que disse que está “assustado” com o que lhe poderá acontecer. Este homem encontra-se detido há mais de três semanas.
A autoridade fronteiriça polaca confirmou que 52 pessoas oriundas de países considerados de terceiro mundo que fugiram da Ucrânia estão atualmente detidos em centros polacos.
Mas não é só na Polónia que estão a ser registados casos destes. Na Estónia também foi detido um estudante nigeriano que viajou para este báltico após fugir da Ucrânia. O seu objetivo era juntar-se a familiares que vivem na Estónia, mas agora está a ser ameaçado com a deportação.
A presidente da subcomissão para os direitos humanos do Parlamento Europeu, Maria Arena, sublinhou ao The Independent que “estudantes internacionais na Ucrânia, assim como ucranianos, estão em risco e a arriscar as suas vidas”.
“A detenção, a deportação ou qualquer outra medida que não lhes garante proteção é inaceitável”, frisou.



