Ucrânia: Futuras regras na UE vão permitir IVA zero para produtos alimentares

A Comissão Europeia disse hoje que as futuras regras do IVA permitirão reduzir até zero as taxas para produtos alimentares, em altura de problemas de fornecimento.

Executive Digest com Lusa

A Comissão Europeia disse hoje que as futuras regras do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), que deverão entrar em vigor em breve, permitirão reduzir até zero as taxas para produtos alimentares, em altura de problemas de fornecimento.

“Vale a pena reiterar que o acordo do Conselho, em dezembro passado, sobre a reforma das taxas de IVA permite aos Estados-membros reduzir para 0% as taxas sobre certos bens e serviços que respondem a necessidades básicas, nomeadamente alimentares”, disse o vice-presidente executivo da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis.

O responsável pela pasta de “Uma economia ao serviço das pessoas” falava em conferência de imprensa, em Bruxelas, no dia em que a Comissão Europeia propôs que os Estados-membros da União Europeia (UE) avancem com taxas reduzidas de IVA para “melhorar a acessibilidade dos alimentos” e que incentivem “os operadores económicos a conterem os preços de retalho”, perante aumentos.

Em dezembro passado, o Conselho (estrutura na qual estão representadas os Estados-membros) chegou a acordo sobre uma proposta de atualização das regras do IVA na UE, dando aos países mais flexibilidade para aplicarem taxas reduzidas e taxas zero.

Esta alteração da diretiva europeia relativa ao sistema comum do IVA deverá ser adotada formalmente pelos países nas próximas semanas, para depois entrar em vigor.

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Atualmente, em Portugal, as taxas reduzidas de IVA são de 6% no continente (face a 23% normal e 13% intermédia), de 5% na Madeira e 4% nos Açores. Entre os bens já abrangidos pela taxa reduzida estão produtos alimentares como cereais, carne, peixe, laticínios, azeite, sal, legumes e fruta.

Nas declarações à imprensa, Valdis Dombrovskis apontou que “a guerra da Rússia contra a Ucrânia afetou todo o mundo”, dado que, “além do aumento dos preços da energia, passou a ser necessário pensar no acesso aos alimentos e […] houve um ‘boom’ global dos preços das mercadorias”.

“O trigo é um bom exemplo e, quando digo trigo, estou na realidade a falar de pão para alimentar as pessoas. Desde a invasão, os preços do trigo subiram 70%”, dado a Ucrânia a ser um grande exportador mundial, destacou.

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Bruxelas anuncia hoje medidas para reforçar a segurança alimentar global e apoiar os agricultores e consumidores da UE, devido às pesadas consequências da guerra da Ucrânia causada pela invasão russa, há um mês, nomeadamente no comércio mundial de alimentos.

A posição surge numa altura tensões geopolíticas que estão a afetar cadeias de abastecimento, causando receios de rutura de ‘stocks’ e de crise alimentar.

Tanto a Ucrânia como a Rússia são importantes fornecedores dos mercados mundiais, especialmente de cereais e óleos vegetais, como trigo, cevada e milho.

Segundo a Comissão Europeia, não existe uma “ameaça imediata à segurança alimentar” no espaço comunitário, uma vez que a UE é um grande produtor e um exportador líquido de cereais.

Ainda assim, Bruxelas reconhece o impacto imediato relacionado com o aumento dos custos ao longo de toda a cadeia de abastecimento alimentar, pela rutura dos fluxos comerciais de e para a Ucrânia e Rússia, bem como as consequências na segurança alimentar global.

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