A SpaceX tornou-se a maior compradora da Cybertruck, o modelo mais polémico da Tesla, num sinal claro das dificuldades que a fabricante enfrenta para sustentar as vendas do veículo elétrico. Segundo o ‘The Independent’, os dados mais recentes de registo indicam que quase uma em cada cinco Cybertruck vendidas nos Estados Unidos no quarto trimestre de 2025 foi comprada pela empresa espacial de Elon Musk.
Os números, baseados em dados da ‘S&P Global Mobility’ e inicialmente avançados pela ‘Bloomberg News’, sugerem que a SpaceX terá gasto mais de 100 milhões de dólares, cerca de 92 milhões de euros, na compra destas pick-up elétricas.
Mesmo com essa ajuda interna, o desempenho comercial continuou a degradar-se. Sem a contribuição da SpaceX, os registos da Cybertruck teriam caído 51% no quarto trimestre.
Um modelo longe das promessas de Musk
A Cybertruck foi apresentada como um dos veículos mais ambiciosos da Tesla, mas os números reais ficaram muito abaixo das previsões feitas por Elon Musk.
Antes do lançamento, em 2023, o empresário disse que a marca venderia 250 mil unidades por ano até 2025. A realidade acabou por ser bem diferente.
Segundo o ‘The Independent’, a Tesla vendeu pouco mais de 20 mil Cybertruck no ano passado, um valor muito abaixo das 38.965 unidades registadas em 2024.
Tesla perde força no mercado elétrico
A quebra na Cybertruck surge numa fase mais delicada para a Tesla.
No início deste ano, a empresa perdeu o estatuto de maior fabricante mundial de veículos elétricos, ultrapassada pela chinesa BYD.
Além disso, a marca de Musk acumula dois anos consecutivos de queda nas vendas, depois de uma década de crescimento contínuo.
Concorrência chinesa e danos reputacionais
A pressão não vem apenas dos números. A Tesla também tem sido acusada de ficar para trás na corrida tecnológica.
O ‘The Independent’ recorda que a BYD tem apresentado vários avanços relevantes, incluindo uma bateria capaz de carregar em tempo semelhante ao de abastecer um carro a gasolina — um objetivo há muito descrito pela indústria como o “santo graal” do automóvel elétrico.
Ao mesmo tempo, a Tesla tem sofrido com boicotes ligados ao posicionamento político de Musk, nomeadamente pelo apoio vocal e financeiro a Donald Trump e a forças da extrema-direita na Europa.
Num ranking da ‘Axios Harris’ sobre as 100 empresas mais visíveis dos Estados Unidos, a Tesla ficou em último lugar no critério “caráter” e quase no fim em “ética” e “cidadania”.
Um veículo cada vez mais divisivo
A Cybertruck tornou-se também um símbolo de polarização cultural e política. Entre críticos, o modelo ganhou alcunhas como “MAGAmobile” e “Deplorean”, num reflexo da associação cada vez mais forte entre o veículo, Musk e o universo político que o rodeia.
Com a SpaceX a servir de almofada comercial para a Tesla, a imagem que fica é clara: a Cybertruck continua longe de justificar a aposta feita por Musk — e, neste momento, até as vendas parecem precisar de ajuda vinda de casa.










