Covid-19: Reaparecimento de estranhos casos de infeção fúngica deixa em alerta responsáveis médicos na Índia

Dois casos de mucormicose, conhecida popularmente como doença do fungo negro ou fungo preto, em pacientes com Covid-19 na Índia têm deixado em alerta os responsáveis médicos

Francisco Laranjeira

Foram relatados dois casos de mucormicose, conhecida popularmente como doença do fungo negro ou fungo preto, em pacientes com Covid-19 na Índia que têm alertado os responsáveis médicos. Esta doença infeciosa rara, causada pelo fungo Rhizopus spp., que pode ser encontrado naturalmente no ambiente, principalmente em vegetações, solo, frutos ou em produtos em decomposição, pode levar ao aparecimento de sintomas após esporos desse fungo serem inalados. Os sintomas de mucormicose são mais frequentes em pessoas que possuem o sistema imunológico mais comprometido, podendo ser notada dor de cabeça, febre, secreção nos olhos e no nariz vermelhidão no rosto e, nos casos mais graves em que o fungo atinge o cérebro, pode também haver convulsões e perda de consciência.

O aparecimento de dois casos em Calcutá deixaram preocupados os responsáveis clínicos – os dois pacientes mantêm-se em tratamentos num hospital da cidade indiana, um com sinais de melhoras mas o outro ainda em estado crítico.

Apenas duas instituições governamentais em Bengala – IPGME & R, que foi designado como o centro de referência para o tratamento de pacientes infetados, e Bankura Sammilani Medical College (BSMC), um dos dois centros regionais para fungos negros – relataram cerca de 150 casos, de acordo com o ‘Times of India’, durante a segunda onda de infeções do SARS-CoV-2. O reaparecimento deixou sinais de alerta.

“Como os casos de mucormicose não foram relatados desta vez, fiquei surpreendido quando recebemos dois casos suspeitos. O relatório de biópsia em ambos os casos confirmou a mucormicose”, explicou Arjun Dasgupta, cirurgião otorrinolaringologista que é o médico dos pacientes da RMC.

A primeira é uma mulher de 50 anos de Calcutá que teve inchaço facial após a Covid-19, e a segunda é um homem de 60 anos que tem muitas comorbilidades, incluindo diabetes. Enquanto a mulher apresenta sinais de melhoras, o outro paciente, que foi encaminhado de outro hospital, está em estado grave, disse Dasgupta.

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Mas por que motivo estão os pacientes infetados pela Covid-19 a desenvolver fungo preto? Os médicos referiram-se ao tratamento prolongado com esteroides e oxigenoterapia como a principal razão. “Os hospitais podem não estar a receber casos de mucormicose desta vez devido ao uso reduzido de esteroides, menos casos de diabetes induzidos pela Covid-19 e menos internamentos nas unidades de cuidados intensivos”, explicou Biman Kanti Ray, professor de neurologia do Instituto de Neurociências de Bangur.

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