Alexei Navalny enfrenta mais 15 anos de prisão com início de novo julgamento

Líder da oposição russa é acusado de desviar doações para a sua organização anticorrupção FBK, que acusou Vladimir Putin de possuir uma mansão de centenas de milhões de euros e outros altos funcionários do Estado que enriquecem através de esquemas corruptos

Francisco Laranjeira

A Rússia pode estender a prisão de Alexei Navalny por mais 15 anos, num novo julgamento criminal que os seus apoiantes alertaram ter sido ofuscado pela crise na Ucrânia. O líder da oposição russa é acusado de desviar doações para a sua organização anticorrupção FBK, que acusou Vladimir Putin de possuir uma mansão de centenas de milhões de euros e outros altos funcionários do Estado que enriquecem através de esquemas corruptos.

O novo julgamento por peculato começou esta terça-feira dentro da colónia penal IK-2, em Vladimir, um local que dista 3 ou 4 horas de carro a leste de Moscovo, o que limita severamente a capacidade dos apoiantes e observadores de comparecer às audiências.

Alexei Navalny está atualmente a cumprir uma sentença de três anos e meio na prisão por uma acusação separada de peculato – já em 2020 sobreviveu a uma tentativa de envenenamento e foi preso depois de ter regressado à Rússia no ano passado. “[As autoridades] querem escondê-lo de todas as pessoas, dos seus apoiantes e de jornalistas”, escreveu a sua mulher, Yulia Navalnaya, num post no Instagram na véspera do julgamento. “É tão patético que eles tenham medo de realizar o julgamento em Moscovo.”

Maria Pevchikh, importante aliada de Navalny, garantiu que o perigo do líder da oposição aumentou à medida que a atenção do público foi desviada cada vez mais das preocupações com os direitos humanos para o potencial de um ataque russo à Ucrânia. “O perigo para a vida de Navalny, ou seja, a probabilidade de ele ser morto na prisão, aumentará exponencialmente dependendo do que acontecer na Ucrânia”, escreveu. “As probabilidades já são muito más mas uma invasão russa total quase não lhe deixa qualquer chance de sobreviver.”

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