A Suíça pode tornar-se o primeiro país do mundo a proibir completamente os testes em animais, se um referendo realizado este domingo receber apoio suficiente, avança o ‘Euronews’.
Segundo a mesma publicação, cerca de 80 organizações apoiam a iniciativa, que de acordo com ativistas dos direitos dos animais, já vem com muito atraso e deve ser implementada urgentemente.
Renato Werndli, médico do nordeste da Suíça e autor do referendo, considera que “os animais não devem sofrer pelo bem dos humanos, é simples”, refere citado pelo ‘Euronews’.4
“Os nossos oponentes disseram ser necessário (realizar testes) por razões científicas, mas conversamos com as pessoas que desenvolvem métodos de pesquisa e eles chegaram a uma conclusão completamente diferente”, acrescentou.
Ainda assim, adianta o ‘Euronews’, o governo suíço e a forte indústria farmacêutica do país são totalmente contra a proibição.
Isto porque, segundo investigadores, a proibição de testes em animais pode impedir o desenvolvimento de novos medicamentos e dificultar futuras pesquisas médicas na Suíça.
A par disso, defendem que os testes em animais já são rigidamente regulamentados por uma legislação aprovada em 2008, que obriga os cientistas a provar que não há outra alternativa a não ser fazer experiências em animais e que esses testes não são cruéis.
“Acho que há pessoas que pensam que todas as experiências com animais são desnecessárias”, afirma Maries van den Broek, vice-reitora de pesquisa da Universidade de Zurique.
A responsável acredita que as perguntas que os cientistas respondem através da realização de testes em animais, ajudam-nos a progredir na pesquisa médica. Van den Broek também afirma que não há crueldade envolvida em testes em animais no país.
“Temos regulamentos muito rígidos sobre como tratar um animal”, explica .”Temos a certeza de que evitamos a dor e o stress o máximo possível. Não os torturamos, por isso não é absolutamente cruel”, acrescentou.
A proibição submetida ao voto popular no domingo também inclui testes em humanos, mas os cientistas consideram que isso vai longe demais. “Seria como puxar o travão de mão”, afirma Samia Hurst, bioeticista da Universidade de Genebra.
O número de testes realizados em animais na Suíça tem vindo a diminuir constantemente nos últimos anos. De quase dois milhões no início da década de 1980, o número caiu agora para uma média de 600 mil por ano.
Mais de 550 mil animais morreram em testes de laboratório em 2020, incluindo 400 mil ratos, quase 4.600 cães, 1.500 gatos e 1.600 cavalos. Primatas, vacas, porcos, peixes e pássaros também foram mortos durante e após as experiências.











