Portugal está há cerca de três meses, desde dezembro, sob ataque de piratas informáticos estrangeiros, que visam apenas sabotar os sistemas de informação para destruir dados, avança o ‘Jornal de Notícias’ (JN).
Segundo a mesma publicação, os ataques dos últimos meses, como o mais recente à Vodafone e o anterior ao grupo Impresa, destacam-se pela eliminação sistemática de informação e paralisação de serviços e não têm um objetivo lucrativo, como acontecia anteriormente.
Apesar de ainda não haver conclusões definitivas, tudo indica que a estratégia atual passa por sabotar o funcionamento de áreas sensíveis e mediáticas, mostrando que os hackers conseguem afetar o funcionamento de um país, adianta o jornal.
O ciberataque à Vodafone é um exemplo disso, uma vez que acabou por ter impacto em muitos organismos e infraestruturas: INEM, bombeiros, bancos, distribuição de bens, empresas, Comunicação Social, vários setores do Estado e milhões de cidadãos foram afetados.
Para os especialistas em cibersegurança, esta persistência em atacar os sistemas, revela que “Portugal está a ser alvo de um ataque orquestrado, sem precedentes e que não será perpetrado por piratas nacionais”, escreve o ‘Expresso’.
“Pode-se enquadrar este ataque num contexto geoestratégico. Portugal é um país da NATO e pode haver quem queira testar as nossas fragilidades internas, neste contexto de ciberguerra”, refere José Tribolet, professor catedrático de sistemas de informação, citado pelo jornal.
Recorde-se que a Vodafone assumiu ontem que foi alvo de um ciberataque na segunda-feira e disse que não tem indícios de que os dados de clientes tenham sido acedidos e/ou comprometidos, estando determinada em repor a normalidade dos serviços.
Numa nota divulgada, a empresa lamentou os transtornos causados aos clientes e informou que tem “uma equipa experiente” de profissionais de cibersegurança que, em conjunto com as autoridades competentes, está a realizar uma investigação aprofundada “para perceber e ultrapassar a situação”.
O CEO da Vodafone, Mário Vaz, disse esta terça-feira que na análise efetuada, “detetámos que a situação teve origem num ato terrorista e criminoso dirigido à nossa rede. Um ato que tornou indisponível os nossos serviços”.
“O objetivo deste ataque foi claramente tornar indisponível a nossa rede, com um nível de gravidade que dificulta ao máximo a recuperação dos serviços”, sublinhou.









