Há cada vez mais alunos do ensino superior a precisar de apoio social, um facto que é comprovado pelo aumento do número de bolsas atribuídas a jovens portugueses.
Segundo o ‘Diário de Notícias’ (DN), a Associação EPIS – Empresários pela Inclusão Social, investiu 290 milhões de euros na atribuição de 147 Bolsas Sociais a jovens em 2021. Este número representa um aumento de 96% face a 2020 e de 171% face a 2019.
Importa referir que 36% das bolsas (53) foram atribuídas a alunos a iniciar o ensino superior ou o mestrado e as restantes a alunos no ensino secundário, adianta o jornal.
“Esta situação tende a agravar-se com o aumento das propinas nas licenciaturas e mestrados. No 2.º ciclo do Superior (Mestrado), o aumento é maior”, conheça por explicar Diogo Simões Pereira, diretor geral da EPIS, citado pelo ‘DN’.
O responsável sublinha que existe “um espaço”, entre o querer ensinar e a aposta nos apoios sociais. “Se Portugal quer apostar mais no ensino superior, devia apostar num maior investimento em apoios sociais”, defende.
“Mas este desafio também diz respeito à sociedade civil e em particular às empresas, que são as maiores beneficiadas pela qualificação”, afirma, adiantando que Portugal está “abaixo da média europeia” no número de alunos a beneficiar de apoios sociais. “Estamos longe das melhores práticas”, acrescenta.
Diogo Simões Pereira cita ainda um estudo do relatório do “Estado da Educação 2019”, do Conselho Nacional da Educação, que revela que “em 2018/2019, a percentagem de alunos nacionais que receberam bolsas de estudo no 1.º ciclo do ensino superior foi inferior a de muitos países”.
“Portugal situa-se no segundo escalão mais baixo (10% a 24,9%); Irlanda, Países Baixos (ambos entre 25% e 49,9%) e Suécia (>75%) estão melhor, mas isso também se verifica para Espanha, França, Reino Unido, e outros países com quem nos devemos comparar”, sublinha ao ‘DN’.
O responsável alerta que “neste momento, no nosso país, podemos estar a deixar alunos com mérito sem acesso ao Ensino Superior por falta de bolsas sociais”, um cenário que tem de ser alterado, com essa mudança a “ter de passar pela sociedade civil e em particular pelas empresas”.






