Legislador morre com recurso à lei do suicídio assistido que ajudou a aprovar

A sofrer de um cancro terminal, fez uso da legislação que permite pedir uma dose letal de medicamentos

Executive Digest

Era um antigo legislador de Vermont, nos EUA, e morreu em casa, aos 58 anos. Willem Jewett, confirmou a mulher Ellen McKay Jewett, sofria de um melanoma da mucosa há mais de um ano.

Nos dias anteriores à sua morte, Jewett apoiou uma série de alterações à lei de 2013 de forma a facilitar a vontade dos doentes terminais que quisessem obter uma receita médica com aquele fim. “Era muito dele: insistir na legislação em que acreditava e usar a sua capacidade para a defender”, elogiou ainda a filha, Abigail.

Jewett, advogado de formação, trabalhou como legislador na câmara de Vermont entre 2003 e 2016, onde era conhecido pela sua energia, humor e inteligência. “Viveu como se não houvesse um momento a perder”, salientou ainda o presidente da câmara Shap Smith.

Quando a câmara deu a aprovação final ao projeto de lei, em 2013, após um dia de debate em que todos partilharam histórias sobre a morte dos seus entes mais queridos, Jewett não escondeu a sua emoção: “Ouvi todas, histórias muito pessoais. Tenho o maior respeito por todas elas”, revelando-se mesmo, como confirma agora Betsy Walkerman, a presidente da Patient Choices Vermont, uma organização local sem fins lucrativos, “muito orgulhoso deste projeto de lei”.

Assim, no final de dezembro de 2021, e já na fase final do melanoma que o afligia, Jewett contactou o grupo, revelando a situação em que se encontrava. “Só queria acrescentar a sua voz, que é incrivelmente poderosa”, remata Walkerman, “porque tem este duplo papel de legislador e de paciente, alguém que estava próximo do fim da vida e fez a sua escolha”.

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