Há centros de saúde, um pouco por todo o país, com ordens superiores para suspender consultas e atos de enfermagem, de acordo com documentos a que a ‘RTP’ teve acesso.
Um desses documentos assinado pelo diretor executivo do agrupamento do Alto Ave, ordena a “suspensão das consultas de enfermagem de hipertensão, diabetes e planeamento familiar”; “reorganização do tempo de consulta aberta: redução de 50% do número de horas diárias por equipa” e a “suspensão do trabalho programado do projeto de saúde escolar”.
“O que nós sabemos é que todos os ACES tiveram esta informação, portanto todos eles estão a desviar recursos humanos, da sua atividade assistencial normal para os centros de vacinação”, afirma à estação João Paulo Carvalho, da Ordem dos Enfermeiros.
O responsável refere ainda que em consequência desta situação, “cada vez mais os colegas estão a fazer estes pedidos de escusa de responsabilidade porque têm perfeita noção de que não são capazes de dar resposta às necessidades”.
“São utentes que têm que recorrer aos serviços de urgência, entupindo-os com situações que não seriam adequadas para os mesmos e a consequência disto são utentes que em vez de terem a sua doença crónica controlada, vêm a agudizar e a ter problemas porque não são bem seguidos”, explica.
Já Nuno Jacinto, Presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar, refere que “isto não é por uma vontade nossa, é porque nos é imposto. E nós já várias vezes dissemos que não pode ser, não podemos tentar resolver um problema criando outro muito maior”, alerta.
Acresce a isto, a exigência de mais horas extra ao fim de semana em profissionais já com milhares acumulados, bem como, mais baixas e isolamentos que comprometam as equipas.



