Com um olfato até 100 mil vezes mais sensível do que o dos humanos, os cães têm sido utilizados para farejar tudo, desde contrabando de drogas até fungos ou cancros. No entanto, o potencial para o vírus da Covid-19 começou a ser descoberto recentemente, depois de cientistas da Universidade Internacional de Flórida (FIU) ter publicado um estudo de deteção canina da Covid-19, no qual quatro cachorros demonstraram uma taxa de precisão de 97,5% na identificação de biomarcadores associados à Covid-19.
“É uma das percentagens mais altas que já vi, e venho a realizar um trabalho de mais de 25 anos com todos os tipos de cães detetores”, apontou Ken Furton, estudioso líder em química forense especializado em deteção de cheiros. “É realmente notável.” Já um estudo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres descobriu que os cães podem identificar a Covid-19 entre 82% e 94% das vezes, enquanto pesquisas alemãs recentes colocam a sua taxa de sucesso em 95%.
Os cães são capazes de generalizar odores, o que significa que podem detetar todas as variantes do Covid-19 atualmente conhecidas, da mesma forma que podem reconhecer todos os tipos de explosivos quando treinados, explicou Furton.
No entanto, a Ómicron afetou os protocolos de pesquisa usados pela Bio-Detection K9, com sede em Ohio, uma empresa que treinou cães para identificar doenças antes da pandemia e que começou a fornecer serviços de deteção de Covid-19 em outubro de 2020, incluindo para a banda de rock Metallica.
“A Ómicron, mais do que qualquer outra variante, mudou a biologia da infeção”, referiu o presidente da empresa, Jerry Johnson. Antes da nova variante, a equipa de 14 cães de Johnson foi treinada para se aproximar de uma fila de pessoas e cheirar as suas mãos ou pés – onde os humanos têm muitas glândulas sudoríparas – antes de sentar na frente daqueles que consideravam infetados. Como a Ómicron está menos presente nos pulmões, após o qual transferem o vírus para todo o corpo e suor, e mais pelo tubo brônquico, as pessoas agora devem oferecer aos cães as suas máscara usadas para cheirar.
Os cães de Johnson são capazes de rastrear entre 200 e 300 pessoas por hora e precisam de pausas a cada 20 minutos para manter o entusiasmo pelo trabalho. Quando trabalham com músicos, os cães não examinam os membros da plateia em shows ao vivo; em vez disso, eles ficam nos bastidores, concentrando-se num grupo muito menor de talentos, engenheiros e comitiva.
Os cães ainda não são uma ferramenta de diagnóstico aprovada pela FDA, portanto, se sinalizarem alguém como infetado, a pessoa deve fazer um teste Covid-19 para confirmá-lo. No entanto, algumas pesquisas indicam que os cães podem ser mais sensíveis ao vírus do que os testes de PCR, identificando indivíduos infetados antes mesmo de terem acumulado carga viral suficiente para se registar num teste.






