Chama-se ‘Maggie’, mede quase 4 mil anos-luz e é o maior objeto visto na nossa galáxia

Descoberta de investigadores do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg revela nuvem estilizada de gás cinco vezes maior que as nuvens conhecidas até ao momento

Francisco Laranjeira

Chama-se ‘Maggie’ e é o maior objeto alguma vez observado na Via Láctea: uma nuvem estilizada de gás com cerca de 3.900 anos-luz de comprimento e cerca de 150 anos-luz de largura. A descoberta, feita por uma equipa de investigadores do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg, na Alemanha, e publicada na revista científica ‘Astronomy & Astrophysics’, tem cinco vezes o tamanho das maiores nuvens de gás conhecidas até agora, nenhuma maior do que 800 anos-luz. ‘Maggie’ está a cerca de 55 mil anos-luz da Terra e recebeu o nome em referência ao rio Magdalena, o mais longo da Colômbia.

Os astrónomos localizaram o filamento de gás enquanto procuravam por objetos localizados fora do plano principal da galáxia, o ‘disco achatado’ que contém a maior parte do material da Via Láctea. Devido às suas dimensões, ‘Maggie’ acabou por se tornar relativamente fácil de detetar.

“Ainda não sabemos exatamente como chegou lá”, explicou Jonas Syed, primeiro autor do artigo. “Mas o filamento estende-se por cerca de 1.600 anos-luz abaixo do plano da Via Láctea.” Graças ao seu relativo isolamento, a equipa conseguiu calcular como o gás move-se dentro da nuvem e descobriram que faz tudo na mesma velocidade e na mesma direção, confirmando que se trata de uma estrutura única e não de vários lados das nuvens.

“‘Maggie’ já era reconhecível em avaliações anteriores dos dados”, apontou Juan Soler, astrónomo responsável pela deteção da gigantesca nuvem de gás pela primeira vez. “Mas apenas o estudo atual prova, sem sombra de dúvida, que é uma estrutura coerente.”

‘Maggie’ não se destaca apenas por ser muito maior do que outras nuvens de gás, mas também é feita de uma forma única de hidrogénio. Esse gás, o mais abundante do Universo, pode apresentar-se em duas formas diferentes: hidrogénio atómico, que é apenas um átomo de hidrogénio não ligado; e hidrogênio molecular, H2, que consiste em dois átomos de hidrogénio ligados entre si. A maioria das nuvens de hidrogénio no espaço consiste em hidrogénio molecular. Mas ‘Maggie’ é composta de 92% de hidrogénio atômico, o que a torna particularmente interessante para os investigadores.

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A maioria das estrelas, na verdade, é formada por nuvens de hidrogénio molecular que se tornam densas o suficiente para colapsar sob a força da gravidade e dar origem a um novo sol. Mas os astrónomos suspeitam que muitas dessas nuvens de hidrogénio molecular podem ter sido compostas de hidrogénio atómico no passado, embora não tenham como explicar como as nuvens atómicas podem tornar-se nuvens moleculares. Está aí, aliás, um dos principais mistérios ainda não resolvidos em torno da formação estelar.

No caso de ‘Maggie’, apenas cerca de 8% do hidrogénio é molecular e parece estar concentrado apenas em certos pontos ao longo da nuvem. Os investigadores suspeitam que possa estar em processo de se tornar uma ou mais nuvens de gás molecular.

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