Há cada vez mais pessoas com doenças autoimunes. Cientistas ligam problema ao elevado consumo de fast food

O maior aumento recente de casos de doença inflamatória intestinal aconteceu no Médio Oriente e no leste da Ásia, regiões que anteriormente, mal tinham registado a doença. 

Simone Silva

Cada vez mais pessoas em todo o mundo sofrem porque o seu sistema imunológico já não consegue distinguir as células saudáveis ​​dos microorganismos invasores. As defesas contra doenças que antes os protegiam estão, em vez disso, a atacar os seus tecidos e órgãos, causando doenças autoimunes.

Segundo o ‘The Guardian’, estão a ser feitos grandes esforços de pesquisa internacional para combater esta tendência, incluindo uma iniciativa do Instituto Francis Crick de Londres, onde dois especialistas mundiais estabeleceram grupos de pesquisa para ajudar a identificar as causas das doenças autoimunes, destacando uma: o elevado consumo de fast food.

“O número de casos autoimunes começou a aumentar há cerca de 40 anos no oeste”, disse James Lee, um dos investigadores responsáveis, ao ‘Observer’. “No entanto, agora estamos a ver alguns casos a emergir em países que nunca tiveram essas doenças antes”, acrescentou.

Por exemplo, o maior aumento recente de casos de doença inflamatória intestinal aconteceu no Médio Oriente e no leste da Ásia, regiões que anteriormente, mal tinham registado a doença.

As doenças autoimunes variam de diabetes tipo 1 a artrite reumatóide, doença inflamatória intestinal e esclerose múltipla. Internacionalmente, estima-se agora que os casos de doenças autoimunes aumentem entre 3% e 9% por ano. A maioria dos cientistas acredita os fatores ambientais desempenham um papel fundamental neste aumento.

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“A genética humana não mudou nas últimas décadas”, disse Lee, que trabalhou anteriormente na Universidade de Cambridge. “Portanto, algo deve estar a mudar no mundo exterior de uma forma que está a aumentar a nossa predisposição para doenças autoimunes”, explicou.

Essa ideia foi apoiada por Carola Vinuesa, também autora da pesquisa. A especialista apontou ainda para as mudanças na alimentação que estavam a acontecer, à medida que mais países adotavam dietas ao estilo ocidental e que as pessoas consumiam mais ‘fast food’.

“As dietas de fast food carecem de certos ingredientes importantes, como fibras, e as evidências sugerem que essa alteração afeta o microbioma de uma pessoa – a coleção de micro-organismos que temos no nosso intestino e que desempenham um papel fundamental no controlo de várias funções corporais”, explicou.

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Segundo a especialista, “essas mudanças nos nossos microbiomas estão, então, a desencadear doenças autoimunes, das quais mais de 100 tipos já foram descobertos”.

Ambos os cientistas sublinharam que as suscetibilidades individuais estão envolvidas na contração dessas doenças, que também incluem a doença celíaca, assim como o lúpus, que provoca inflamação e inchaço e pode causar danos a vários órgãos, incluindo o coração.

Por esse motivo, Lee e Vinuesa visam descobrir como é que as diferentes vias genéticas operam e desvendar os muitos tipos diferentes de doenças que os médicos estão a analisar agora.

“Se olharmos para algumas doenças autoimunes – por exemplo, lúpus – ficou claro recentemente que existem muitas versões diferentes, que podem ser causadas por diferentes vias genéticas”, disse Vinuesa. “E isso tem uma consequência quando tentamos encontrar o tratamento certo”, apontou.

Lee também salientou que o aumento de casos de doenças autoimunes em todo o mundo significa que novos tratamentos e medicamentos são agora urgentemente necessários mais do que nunca.

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“De momento, não há cura para as doenças autoimunes, que costumam desenvolver-se nos jovens, enquanto tentam concluir os estudos, conseguir o primeiro emprego e ter família”, disse.

Para o responsável, “isso significa que um número crescente de pessoas será submetido a cirurgias ou terá que receber injeções regulares para o resto das suas vidas.  Daí a necessidade urgente de encontrar novos tratamentos eficazes”, conclui.

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