Covid-19: Porque é que os ginásios podem ser polos de transmissão? Este estudo explica

Em repouso, homens e mulheres expiravam cerca de 500 partículas virais por minuto. Mas quando faziam exercício, esse total aumentava 132 vezes, chegando a mais de 76 mil partículas por minuto.

Simone Silva

Muitos ginásios e spas parecem estar a encher-se novamente de pessoas ansiosas para regressar às suas antigas rotinas e entrar em forma para o verão. Mas isto acontece ao mesmo tempo que as infeções por Covid-19 aumentam.

Será então seguro voltar ao ginásio? Talvez não, de acordo com um estudo da Universidade de Munique, Alemanha, publicado no ‘Proceedings of the National Academy of Sciences’.



O estudo analisou o número de partículas de aerossol que 16 pessoas exalaram em repouso e durante os treinos. Esses minúsculos pedaços transportados pelo ar podem transmitir coronavírus se alguém estiver infetado, através do transporte do vírus pelo ar, de pessoa para pessoa.

As conclusões mostram que, em repouso, os homens e mulheres expiravam cerca de 500 partículas por minuto. Mas quando faziam exercício, esse total aumentava 132 vezes, chegando a mais de 76 mil partículas por minuto, em média.

Essas descobertas ajudam a explicar por que motivo vários eventos ​​​​de superpropagação de Covid-19 desde 2020 aconteceram em aulas de ginástica interiores.

 

Para o novo estudo, um grupo de cientistas e investigadores de dinâmica de fluidos alemães desenvolveu uma nova forma de medir a emissão de aerossóis, usando uma única bicicleta ergométrica e um ciclista dentro de uma barraca hermética.

Os ciclistas usavam máscaras de silicone que capturavam as respirações emitidas, enviando o ar através de tubos para uma máquina que contava cada partícula à medida que passava.

Os investigadores mediram primeiro a produção de partículas das pessoas enquanto estavam sentadas e depois enquanto faziam exercício, num ritmo cada vez maior, até estarem exaustas demais para continuar. As partículas foram contadas constantemente.

Os cientistas esperavam que a produção de aerossol crescesse, à medida que a intensidade aumentasse. Todos nós respiramos mais fundo e mais rápido à medida que nos exercitamos mais. Mas a extensão do aumento “surpreendeu-nos”, disse Henning Wackerhage, professor de biologia do exercício na Universidade Técnica de Munique e autora sénior do novo estudo.

O aumento nas emissões de aerossol começou moderadamente à medida que os ciclistas começaram a pedalar com mais força. Mas quando atingiram um limite no qual seu exercício se tornou visivelmente mais exaustivo, o aumento nas emissões tornou-se exponencial.

Os voluntários começaram a soprar cerca de 10 vezes mais ar por minuto do que em repouso, enquanto o número de partículas por minuto aumentou mais de 100 vezes à medida que se aproximavam da exaustão (com variação considerável de pessoa para pessoa).

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.