Enquanto o Ocidente admira a Ucrânia enfrentar a invasão da Rússia, vozes como a de Oleg Matveychev, deputado russo e ex-conselheiro de Vladimir Putin, sublinham que a NATO e Kiev caíram na armadilha, “ao esmagar” a Ucrânia.
Em entrevista ao ‘El Mundo’, o responsável considera que a guerra “deixará a Ucrânia desmembrada e a Europa “mergulhada numa grave crise com 10 milhões de refugiados”.
Matveychev é um deputado do partido no poder ‘Rússia Unida’ na Câmara Baixa do Parlamento e já trabalhou na Administração Presidencial como assessor nas campanhas de Dmitri Medvedev (2008) e de Vladimir Putin (2018).
O seu discurso está de acordo com a proclamado pela propaganda que os russos ouvem todos os dias na televisão: “A Ucrânia é um estado artificial que não deveria existir no futuro”, defende.
Segundo o deputado, “Putin está à procura de um certo equilíbrio, para enfrentar os países que estão contra si. Mas ele sabe muito bem o que tem ou não de ser destruído [na Ucrânia]”.
“Ele não está de modo algum preocupado com estas armas pequenas. A Rússia está a desfazê-las. É uma grande despesa para NATO e nós estamos a gastar 10 vezes menos com esta operação especial”, reitera.
Questionado sobre que planos em Putin em concreto na Ucrânia, o responsável disse que “tinha sido calculado que a Ucrânia seria o Afeganistão de Putin, que ele
ia depois assumir a responsabilidade por este grande território”.
“Mas o que é está a acontecer é uma desmilitarização, a destruição daqueles batalhões mais motivados com as suásticas. A Rússia está a ficar com essas armas [do Ocidente] e a destruí-los”, reitera.
Matveychev considera que “não há necessidade de assumir a responsabilidade por este território, porque é uma questão da NATO. Para Putin é suficiente para libertar Donbas”.
“A propaganda [ocidental] continua a usar cada vez mais informações falsas dizendo que haverá um contra-ataque e uma vitória ucraniana. Não, eles estão a cavar a sua própria sepultura”, refere.
E depois, acrescenta, “quando se tornar claro que tudo isto era mentira e que eles perderam a guerra, vai haver grandes desapontamento com as autoridades e com
toda aquela propaganda em que não deveriam ter acreditado”.
E como é que será o final desta guerra? “Teria sido possível chegar
um acordo, e ainda essa possibilidade após a desmilitarização da área das repúblicas de Donetsk e Luhansk”, adianta.
“Mas não será um acordo para não aderir à NATO ou para reconhecer a Crimeia, não precisamos desse reconhecimento. O acordo será sobre um sistema de segurança abrangente: desmilitarização dos contornos da Rússia e as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk”, explica.
O responsável acrescenta: “Não pode haver mísseis perto das fronteiras da Rússia,
e é aqui que se cruzam os planos da Finlândia e da Suécia de aderir à NATO.
Tudo isto no âmbito de um acordo legal”.
“E o nosso Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros já disse que o objetivo final é trazer a NATO de volta ao ponto em que se encontrava em 1997”, o que “provavelmente” significa que a Polónia deixará de fazer parte da aliança. E se não houver acordo, sublinha, “a guerra de atrito continuará na Ucrânia”.













