A resolução da guerra brutal na Ucrânia parece distante. A resiliência ucraniana e uma resposta global coordenada significam que a guerra não vai terminar como muitos esperavam antes de começar – com a rápida vitória da Rússia. Há atualmente três grandes movimentos que são um obstáculo difícil de transpor:
Obstáculos à paz
Putin parece acreditar que os benefícios líquidos da sua guerra na Ucrânia vão superar os custos. Apesar de ter moderado os objetivos, perante a resistência de Kharkiv, Kiev e outras capitais regionais, o exército russo ainda está na luta o que significa que ainda há algo para ganhar. Em segundo lugar, os relatórios de inteligência de que poderia estar a receber informações incorretas podem fazer hesitar em negociar até ter a certeza de que realmente sabe o que está a acontecer. Por último, parece acreditar profundamente que a potencial aceitação da Ucrânia como membro da NATO e pela União Europeia constitui uma ameaça existencial ao seu mandato e ao seu legado.
Enquanto o resto do mundo insiste que a guerra na Ucrânia é um ato de agressão sob o direito internacional, Putin continua a enquadrar a sua “operação militar especial” como uma guerra defensiva legítima, tanto no sentido político contra a crescente influência ocidental como na proteção dos direitos dos russos e falantes de russo na região do Donbass.
Além do mais, Putin parece ter o apoio doméstico do seu lado – uma pesquisa recente da Levada indicou que o seu índice de aprovação subiu de 71% para 83% desde a sua invasão à Ucrânia. Isto significa que o presidente russo tem o tempo a seu lado enquanto conseguir controlar as notícias e a narrativa sobre a guerra.
As sanções vão morder?
O Ocidente está a contar que as sanções forcem Putin a sentar-se à mesa de negociações. Mas estas demoram tempo. Uma vez que os seus civis estão a morrer de sede e desnutrição todos os dias, o tempo é um luxo que a Ucrânia não tem. As sanções também são indiscriminadas – afetam líderes mas também civis inocentes. E o dano perdura mesmo depois da cedência do alvo, reforçando a narrativa de que a Rússia é a vítima, como um alvo do Ocidente.
Além disso, a Rússia tem incentivos poderosos para continuar a lutar. Primeiro, a guerra de informação que está a ser travada em todo o mundo é tão crítica para uma resolução aceitável de longo prazo como a guerra física. Se os russos descobrirem a verdade, a liderança de Putin poderá ser questionada, assim como sucedeu ao líder soviético Mikhail Gorbachev após a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão em 1989.
As ações de Putin sugerem que está ciente da importância do seu controlo de informações para vencer a guerra. Foi por esse motivo que fechou os media independentes e restringiu o que os russos podem ler ou ver. Mas também é verdade que os esforços de Putin para controlar a narrativa serão difíceis de manter indefinidamente. Imagens de prédios residenciais incendiados, vítimas civis e refugiados a fugirem de suas casas são agora vistas globalmente todos os dias. Além disso, mães e pais, esposas e maridos, filhas e filhos dos soldados mortos vão exigir saber se os seus entes queridos que servem na Ucrânia estão seguros.
A questão crítica agora é se Putin pode terminar o seu projeto de 20 anos para devolver a Rússia a um passado totalitário, com ele como líder, ou se a guerra vai levar ao seu fim político?
No centro de tudo isso não está como Putin interage com o Ocidente, mas o seu relacionamento com os russos, apontou o ‘The Conversation’. As pessoas de fora tendem a julgar Putin e os seus motivos pela forma como as suas ações nos afetam mas, para o líder russo, o seu público doméstico é mais importante. Ou seja, enquanto ele vencer a guerra da informação na Rússia, o seu poder político permanecerá seguro.
Poder do Governo autoritário
Putin já está no poder há mais tempo do que qualquer um dos seus rivais contemporâneos nos EUA ou na NATO e é provável que permaneça no poder através da manipulação de eleições ou esvaziando a sua oposição. Mas nas democracias os líderes mudam e com essas mudanças podem vir momentos políticos mais favoráveis a Putin: em dois anos, por exemplo, os Estados Unidos poderão ter um novo presidente. Assim, Putin só precisa de aguentar até janeiro de 2025 na esperança de um tratamento favorável.
Durante o seu mandato de duas décadas como chefe de Estado da Rússia, Putin vinculou a sua liderança pessoal ao destino da Rússia. E por isso torna-se improvável que aceite uma paz que não envolva a garantia do direito da Rússia de intervir nos assuntos soberanos da Ucrânia e aceitar qualquer coisa menos do que reconstituir as “esferas de influência soviéticas” significaria uma enorme perda de estatuto no cenário internacional e considerável popularidade em casa.













