Impostos sobre robots e semana de quatro dias: o plano da OpenAI para uma economia dominada pela IA

E se trabalhasse apenas quatro dias por semana sem perder salário? E se as empresas pagassem impostos por substituir trabalhadores por inteligência artificial? Estas são algumas das propostas da OpenAI para adaptar a economia à nova era digital.

Patrícia Moura Pinto

A OpenAI defende uma transformação profunda da economia global à medida que a inteligência artificial (IA) evolui rapidamente, propondo medidas como impostos sobre automação e a adoção de semanas de trabalho mais curtas.

A empresa acredita que os sistemas de inteligência artificial poderão, num futuro próximo, superar a inteligência humana, desencadeando mudanças estruturais na forma como trabalhamos, vivemos e pagamos impostos. De acordo com a Euronews, este cenário exige uma revisão urgente dos modelos económicos atuais.

Num documento recente com “ideias iniciais”, a OpenAI apresenta propostas para mitigar os impactos da IA no mercado de trabalho, especialmente num contexto em que a automação poderá levar à perda de empregos tradicionais.

Uma das principais sugestões passa pela criação de um fundo público de riqueza. Este mecanismo permitiria que todos os cidadãos beneficiassem diretamente do crescimento económico impulsionado pela inteligência artificial.

Este fundo investiria em ativos diversificados e de longo prazo, incluindo empresas de IA e outras organizações que utilizam estas tecnologias, distribuindo os rendimentos pelos cidadãos.

Continue a ler após a publicidade

Outro ponto central é a proposta de incentivar programas-piloto de semana de trabalho de quatro dias, sem redução salarial. A OpenAI considera que os ganhos de produtividade proporcionados pela IA podem compensar a diminuição do tempo de trabalho.

Esta ideia tem vindo a ganhar apoio entre líderes tecnológicos, refletindo uma tendência crescente de adaptação das estruturas laborais à nova realidade digital.

A empresa também sugere uma reformulação do sistema fiscal, com maior incidência sobre lucros empresariais e mais-valias, em detrimento da tributação do rendimento do trabalho.

Continue a ler após a publicidade

De acordo com a Euronews, esta mudança visa responder à possível redução de empregos causada pela automação, garantindo a sustentabilidade das finanças públicas e dos sistemas de proteção social.

Além disso, é levantada a hipótese de criar um imposto específico sobre o uso de trabalho automatizado, aplicável sempre que empresas substituam trabalhadores humanos por sistemas de IA.

Outra proposta passa pela criação de “contas portáteis” para benefícios sociais, como pensões e acesso à saúde. Estas contas acompanhariam os cidadãos ao longo da sua vida profissional, independentemente de mudanças de emprego ou setor.

A OpenAI não está sozinha neste debate. Vários líderes do setor tecnológico têm defendido medidas semelhantes, incluindo a implementação de um rendimento básico universal e a redução da semana de trabalho.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com os riscos associados à IA avançada, incluindo possíveis impactos económicos e sociais de larga escala.

Continue a ler após a publicidade

As propostas agora apresentadas refletem uma tentativa de antecipar os efeitos de uma tecnologia que está a transformar rapidamente o mundo. A discussão sobre impostos, trabalho e redistribuição de riqueza deverá intensificar-se à medida que a inteligência artificial se torna cada vez mais presente na economia global.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.