França vive hoje uma grande greve em vários setores, como os transportes e a educação, com manifestações e protestos que estão a cortar estradas, a deixar os transportes parados, a cancelar voos e a paralisar portos, estaleiros, zonas industriais e plataformas logísticas e empresariais. Perante este cenário, os transportadores portugueses podem ser afetados e o regular abastecimento de bens e produtos pode estar em risco.
O alerta para os efeitos em Portugal da greve em França é feito pela Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM). À TSF, André Matias de Almeida, porta-voz da associação, recorda que outras greves em França, como a de 31 de janeiro passado, “têm sempre afetado o transporte internacional”.
“Olhamos com bastante apreensão para esta greve geral que vai afetar vários setores. Vai cruzar a questão dos portos”, avisa o responsável, que adianta que efeitos no abastecimento em Portugal “é algo que pode vir a verificar-se”.
“A greve iniciou-se ontem às 19h de França e vai prolongar-se, pelo menos, durante dois dias, podendo ainda ser estendida por mais dias. E as greves em França, além de terem sempre muita adesão, têm piquetes de greve a funcionarem de forma muito eficaz, e isso tem impacto imediato”, recorda o porta-voz da ANTRAM.
Os sindicatos prometem a “paralisação do país”, que até é o slogan escolhido pela intersindical para esta nova ronda de protestos.
Espera-se segundo as estruturas sindicais de vários setores, uma grande mobilização, com o objetivo de travar o Governo na ideia de fazer aumentar a idade legal para reforma no país, dos 62 para os 64 anos.
É esperada grande adesão dos trabalhadores dos transportes, pelo que é expectável que entre 20 a 30% dos voos de e para França sejam cancelados, mas também que as linhas de comboio, metro ou autocarros estejam paradas ou com fortes constrangimentos durante todo o dia.
Clément Beaune, ministro francês dos Transportes, já adiantou que será “um dos dias mais difíceis que alguma vez conhecemos” e antecipou que os protestos deverão mesmo prolongar-se para o dia 8 de março, e eventualmente para os seguintes.
Desde domingo que há transportes de mercadorias parados em protestos, sendo que querem bloquear estradas e camiões, para que os produtos não cheguem às empresas e distribuidores a que se destinavam.
Segundo os sindicatos é esperada maior mobilização do que os protestos de 31 de janeiro que, segundo relatam as estruturas sindicais, levaram mais de 2,5 milhões de franceses para as ruas.






