“Estão a bombardear crianças”: Russo de 63 anos condenado a sete anos de prisão por publicar “falsidades” nas redes sociais

Um tribunal de Moscovo, na Rússia condenou Mikhail Simonov, de 63 anos a sete anos de prisão, depois de o considerar culpado por “disseminar falsidades” sobre as Forças Armadas russas nas redes sociais “motivadas por ódio político”.

Pedro Gonçalves

Um tribunal de Moscovo, na Rússia condenou Mikhail Simonov, de 63 anos a sete anos de prisão, depois de o considerar culpado por “disseminar falsidades” sobre as Forças Armadas russas nas redes sociais “motivadas por ódio político”.

De acordo com a ONG de ajuda legal Net Freedoms Project, o caso é sustentado em duas publicações que Simonov fez na rede social russa VKontakte sobre bombardeamentos russos em Kiev e o episódio da ofensiva lançada contra um teatro em Mariupol.



“Mulheres e crianças a serem assassinadas, e nos estamos a cantar cânticos no canal 1. Rússia, tornámo-nos uns sem-vergonha. Que Deus nos perdoe” e “Os pilotos russos estão a bombardear crianças” foram os comentários que desencadearam o processo judicial, segundo relata o jornal Mediazona.

De acordo com a acusação, as publicações feitas pelo homem “enganam os utilizadores sobre a legalidade das ações das Forças Armadas da Rússia, comprometendo a sua autoridade e desacreditando-as sendo que, de acordo com o Ministério da Defesa, a informação sobre a morte de civis pelos militares russos não corresponde à verdade”.

O caso foi aberto depois de duas denúncias. Na primeira, a queixosa Anna Gel diz ter encontrado as publicações “por acaso” e decidiu contactar a polícia porque o que tinha lido contradizia as informações oficiais do Governo russo. Em tribunal, afirmou não gostar “por princípio” quando as pessoas criticam o país em que vivem.

Outra testemunha ouvida, Natalia Plotnikova, afirmou perante o juiz que ficou zangada quando encontrou as publicações, que considerou “uma pilha de liberalismos”. No testemunho, chorou e disse que não acreditava que as forças russas estavam a cometer quaisquer crimes.

Outras duas publicações, feitas em 2020, em que Mikhail Simonov criticava o Presidente russo Vladimir Putin e o seu homólogo bielorusso Alexander Lukashenko, foram anexadas ao processo judicial. “Os dois tiranos concordaram em destruir a Bielorrússia. Mas não vai funcionar, nós os russos não vamos deixar. A Crimeia e Donetsk já chegam”, escreveu o russo, algo que a acusação considera ser prova de “ódio político” do arguido.

Simonov terá admitido parcialmente a culpa, sendo que justificou em tribunal que é filho de um soldado que combateu na II Guerra Mundial e que por isso, “simplesmente não podia ter qualquer atitude negativa” para com as Forças Armadas. “Só fui motivado pela minha perspetiva de que a vida humana não tem preço”, alegou o russo.

Simonov estava a viver na Bielorrússia há alguns anos. Regressou à Rússia em novembro de 2022, no âmbito de uma viagem para efeitos profissionais, e foi imediatamente detido pelas autoridades russas.

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