Um tribunal de Moscovo, na Rússia condenou Mikhail Simonov, de 63 anos a sete anos de prisão, depois de o considerar culpado por “disseminar falsidades” sobre as Forças Armadas russas nas redes sociais “motivadas por ódio político”.
De acordo com a ONG de ajuda legal Net Freedoms Project, o caso é sustentado em duas publicações que Simonov fez na rede social russa VKontakte sobre bombardeamentos russos em Kiev e o episódio da ofensiva lançada contra um teatro em Mariupol.
“Mulheres e crianças a serem assassinadas, e nos estamos a cantar cânticos no canal 1. Rússia, tornámo-nos uns sem-vergonha. Que Deus nos perdoe” e “Os pilotos russos estão a bombardear crianças” foram os comentários que desencadearam o processo judicial, segundo relata o jornal Mediazona.
De acordo com a acusação, as publicações feitas pelo homem “enganam os utilizadores sobre a legalidade das ações das Forças Armadas da Rússia, comprometendo a sua autoridade e desacreditando-as sendo que, de acordo com o Ministério da Defesa, a informação sobre a morte de civis pelos militares russos não corresponde à verdade”.
O caso foi aberto depois de duas denúncias. Na primeira, a queixosa Anna Gel diz ter encontrado as publicações “por acaso” e decidiu contactar a polícia porque o que tinha lido contradizia as informações oficiais do Governo russo. Em tribunal, afirmou não gostar “por princípio” quando as pessoas criticam o país em que vivem.
Outra testemunha ouvida, Natalia Plotnikova, afirmou perante o juiz que ficou zangada quando encontrou as publicações, que considerou “uma pilha de liberalismos”. No testemunho, chorou e disse que não acreditava que as forças russas estavam a cometer quaisquer crimes.
Outras duas publicações, feitas em 2020, em que Mikhail Simonov criticava o Presidente russo Vladimir Putin e o seu homólogo bielorusso Alexander Lukashenko, foram anexadas ao processo judicial. “Os dois tiranos concordaram em destruir a Bielorrússia. Mas não vai funcionar, nós os russos não vamos deixar. A Crimeia e Donetsk já chegam”, escreveu o russo, algo que a acusação considera ser prova de “ódio político” do arguido.
Simonov terá admitido parcialmente a culpa, sendo que justificou em tribunal que é filho de um soldado que combateu na II Guerra Mundial e que por isso, “simplesmente não podia ter qualquer atitude negativa” para com as Forças Armadas. “Só fui motivado pela minha perspetiva de que a vida humana não tem preço”, alegou o russo.
Simonov estava a viver na Bielorrússia há alguns anos. Regressou à Rússia em novembro de 2022, no âmbito de uma viagem para efeitos profissionais, e foi imediatamente detido pelas autoridades russas.








