“Inúteis” ou “regras estúpidas”: marcas automóveis europeias lamentam proibição da venda de carros novos com motor a combustão a partir de 2035

CEO da Stellantis, o português Carlos Tavares, apontou serem regras “inúteis” uma vez que a indústria automóvel tem investido milhares de milhões de euros em veículos elétricos e começam gradualmente a eliminar os carros movidos a combustíveis fósseis

Francisco Laranjeira
Março 28, 2023
13:49

As marcas automóveis europeias não estão satisfeitas com a decisão da Comissão Europeia em proibir, a partir de 2035, a venda de automóveis ligeiros novos com motor a combustão (Euro 7), sendo só permitidos os de emissões zero de dióxido de carbono (CO2) – as medidas foram consideradas muito caras, apressadas e desnecessárias.

O CEO da Stellantis, o português Carlos Tavares, apontou serem regras “inúteis” uma vez que a indústria automóvel tem investido milhares de milhões de euros em veículos elétricos e começam gradualmente a eliminar os carros movidos a combustíveis fósseis. Mas não está sozinho.



O grupo ‘lobista’ da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) apontou que o Euro 7 iria fazer aumentar o preço dos veículos novos em cerca de 2 mil euros, acrescentando que as reduções de poluentes serão mínimas; já um executivo da Skoda afirmou que a unidade Volkswagen teria de cortar 3 mil empregos. Por último, o CEO da Iveco, Gerrit Marx, considerou as propostas de “simplesmente estúpidas”.

Mattias Johansson, chefe de assuntos governamentais da Volvo Cars, frisou, em declarações à agência ‘Reuters’, que o prazo de 2025 deixou “praticamente de ser razoável” para mudanças nos motores, sendo que a marca sueca comprometeu-se a ser totalmente elétrica até 2030.

As críticas não param: o CEO da Daimler Truck, Martin Daum, apontou que os novos sensores de emissões vão exigir “enormes investimentos” e Alexander Vlaskamp, CEO da unidade Traton, a MAN estimou que o Euro 7 vai custar mil milhões de euros.

Nem toda a indústria automobilística está insatisfeita com o Euro 7. O CEO da Vitesco, Andreas Wolf, revelou que fornecedor de tecnologias de transmissão vê isso como uma oportunidade. “A linha do tempo significa stress para muitas empresas”, disse. “Mas estamos preparados para tudo.”

A Cummins acredita que o Euro 7 “atinge um bom equilíbrio entre ser rígido, claro e executável”, disse Pete Williams, chefe europeu de conformidade técnica da fabricante de motores dos EUA.

https://executivedigest.sapo.pt/ue-vai-proibir-vendas-de-novos-carros-a-combustao-a-partir-de-2035/

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