Subida da inflação: “Risco de um erro de política é significativo. BCE e Fed estão a andar na corda bamba”, alerta Deutsche Bank

Escalada da taxa de inflação em 2022 levou a uma resposta contundente dos bancos centrais, que tiveram de subir a taxa de juros em força. No entanto, não demoraram a surgir alertas

Francisco Laranjeira

A escalada da taxa de inflação em 2022 levou a uma resposta contundente dos bancos centrais, que tiveram de subir a taxa de juros em força. No entanto, não demoraram a surgir alertas. “O risco de um erro de política em ambas as direções é significativo tanto para o Fed (Federal Reserve, dos Estados Unidos) como para o BCE (Banco Central Europeu) neste momento devido à incerteza gerada pelo atraso na política económica”, avisou esta quinta-feira o Deutsche Bank.

Em causa está a aproximação dos juros da zona neutra, segundo explicou o jornal espanhol ‘El Economista’, que faria com que o BCE ou o Fed decidir se continuariam em frente, se travavam ou se retrocediam nas suas decisões – os indicadores são confusos: por um lado, a inflação corrente mantém-se elevada, o que poderá fazer os dois organismos aumentarem a taxa de juro, tal como antecipam os mercados. Por outro, tudo aponta para uma forte moderação dos preços num futuro próximo e sobretudo um abrandamento acentuado da atividade económica.



“Não há decisão sem custos e não há decisão sem riscos associados”, apontaram os economistas do Deutsche Bank em nota aos clientes. “O BCE e o Fed estão a andar na corda bamba e qualquer movimento para um lado ou para o outro pode fazê-los cair no mar.”

Os agregados monetários foram capazes de prever, em 2021, que a inflação ia disparar e depois durar mais do que o esperado. “Em algumas das principais economias, sempre acompanhámos a evolução dos agregados monetários de muito perto para fazer as nossas previsões de inflação, mesmo quando não era moda fazê-lo”, referiu Johannes Müller, chefe de análise macro do DWS, citado pela publicação espanhola. “Dessa forma, conseguimos detetar indícios valiosos de que a inflação pode ser menos transitória do que o esperado.”

Outro ingrediente que complica ainda mais a decisão dos bancos centrais é a demora com que a política monetária atua. Os aumentos das taxas levam um ano ou mais para passar para a economia como um todo.

“Pensando no tempo que leva para a política monetária entrar em vigor, é preciso lembrar que foi há apenas sete meses que o BCE elevou as taxas de juro pela primeira vez neste ciclo e as tirou de território negativo”, escreveu o Deutsche Bank. “Umas semanas depois, o BCE interrompeu o programa de compra de títulos. Dado o atraso com que funciona a política monetária, ainda estamos a sentir o impacto inflacionário dessas políticas extremamente frouxas.”

“Assim, os dados da inflação pedem aumentos rápidos do BCE mas os agregados monetário pedem mais cautela. Claramente, não se sabe o que está a acontecer em tempo real e como os dados da moeda e da inflação estão em extremos opostos, a calibração será muito difícil”, alertou o Deutsche Bank.

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