Por Jorge KM Farromba
Quando tive a oportunidade de ensaiar o primeiro Tesla fi-lo como se fosse uma criança à porta da loja de rebuçados e já levo vários anos disto.
A Tesla marcou uma revolução no setor automóvel do mesmo modo que a APPLE o fez com o Iphone e o IPAD ou que o Cirque du Soleil o fez ao criar um espetáculo ao invés de um tradicional circo, isto somente para citar dois bons exemplos de uma estratégia do oceano azul.
Acresce a isso o mérito de uma marca que não tendo tradição no setor automóvel cria de raiz um automóvel, o que, só por si, merece rasgados elogios. Também era para mim expetável que numa marca nova, surgissem pequenos erros de software, falsos positivos, etc. Mas em nenhum dos ensaios realizados tal aconteceu. Meritório, diria! Adicionalmente, sendo esta uma marca que comunica diretamente com o consumidor e recebe deste feedback ao segundo, rapidamente consegue corrigir qualquer situação.
Existem demasiados fatores que a marca introduziu no setor automóvel que obrigou o mesmo a seguir a tendência. Uma plataforma feita exclusivamente para receber veículos elétricos, autonomia q.b, inovação, software de topo e atualizável em qualquer momento (OTA), condução autónoma, etc
Sabemos também que a marca não é perfeita e que a qualidade de construção ainda não está ao nível da armada alemã; que sofreu vários problemas por causa da sua juventude e das dores de crescimento. Mas o certo é que quando se fala de TESLA todos a veneram.
Tem sido curioso que o aparecimento de outras marcas no setor elétrico não tem despertado tanta atenção quanto a TESLA. Importava por isso ensaiar este novo Tesla Model 3 com ligeiras alterações estéticas e sobretudo de software.
Desaparecem os cromados no exterior sendo todos substituídos por elementos a negro. Motivo? Preferência do consumidor
As JLL surgem com novo layout e ganham algo mais na aerodinâmica e surgem também na cor preta – Motivo? As preferências do consumidor.
E certo é que esta combinação do preto com a cor branca da carroçaria (cor que não é muito do meu agrado) mas que nos Supercharger em FATIMA estavam 2/3 com esta cor. Um dos motivos também pode passar pelo facto desta cor ser standard e as restantes serem pagas à parte (perto de 2.000€)
Os vidros laterais da frente são agora laminados e desaparece o pequeno silvo que também derivava das borrachas nesta zona provocado pela deslocação de ar, bem como melhorou em muito o conforto acústico. Motivo da alteração? O consumidor…
A tampa da mala é agora elétrica e existem pequenas alterações no modo de condução autónoma tomando-o mais “inteligente”!
Em estrada, o cruise control é obrigatório tal a rapidez com que atingimos velocidades proibitivas. O conforto sai ligeiramente prejudicado nesta versão muito à custa da suspensão e os pneus de baixo perfil.
Continuo a ser um gosto poder, no interior beneficiar da usabilidade com que tudo foi desenhado e criado. Desde o tablier minimalista que adoro, ao grande tablet e ao software nele incorporado, aos detalhes da consola central agora num plástico de boa qualidade mas mais baço e menos propenso a dedadas e, na criação de um local para colocação de dois telemóveis com carregamento por indução e no prolongamento da “madeira” do tablier para os painéis laterais.
Sobre a qualidade do som emanado pelas 12 colunas (duas delas no topo do pilar A) só se podem tecer elogios.
O comportamento é o que a Tesla nos habituou e a existência do Dual Motor, torna-o extremamente competente na abordagem das curvas (diria que a velocidade exagerada com que chegamos às curvas e as abordamos “sobre carris” é por demais evidente, onde sobressai o “kit de unhas” de cada condutor)
Talvez como pontos a melhorar e dado que esta versão é demasiado rápida, os bancos podiam ter maior apoio lateral e os traseiros deveriam ter alguma inclinação ao nível das pernas, bem como, existir espaço para poder colocar os pés por baixo dos bancos da frente (situação que acredito se deve ao enorme esforço da marca em baixar o centro de gravidade do Model 3).
Model 3 começa nos 50 900€ ou 499€ por mês em leasing. Todos os Tesla vêem com Autopilot (nível 2) e o cliente pode adicionar o Enhanced Autopilot ou Full-Self Driving Capability, Auto Lane change, Navigate ou Autopilot e Summon.
Nos carregamentos pode aceder às 8 estações de carregamento (80 no total) e aos V3 Supercharging aqui. Com um custo de 0,30 cts por kWh ou em alternativa aceder à estrutura de carregamentos em Portugal.
Nota: A Tesla vai abrir os Superchargers a outras marcas e com isso reduzir custos, possivelmente reduzir preço dos carregamentos a utilizadores Tesla. Como inconveniente podemos destacar a possível sobrelotação dos Superchargers e potencial demora no carregamento.




