Psicólogos que estudaram 40 mil casais revelam o fator essencial para as relações de sucesso. E dão conselhos

Os dois são autores de um estudo no qual conseguiram prever com 94% de certeza de um casamento iria ou não durar, apenas observando a dinâmica entre casais durante 15 minutos.

Pedro Zagacho Gonçalves

Manter uma relação estável, duradoura e sólida é um trabalho contínuo, feito a dois. Que o digam John e Julie Schwartz Gottman, psicólogos especialistas em relações e terapia de casais, casados há 35 anos e que já estudaram mais de 40 mil casais.

Os dois são autores de um estudo no qual conseguiram prever com 94% de certeza de um casamento iria ou não durar, apenas observando a dinâmica entre casais durante 15 minutos.

Os especialistas defendem que o fator número um, essencial para que uma relação tenha sucesso é a frequência com que os casais “se voltam um para o outro”, ao invés de “desviarem”.

O casal Schwartz Gottman explica que quando duas pessoas numa relação “se voltam uma para a outra”, isto significa que que estão a fazer ou a responder “pedidos de conexão” do parceiro. Estes pedidos variam entre chamadas de atenção, apelos pelo nome, ou então uma exigência de necessidades.

Os autores de ‘A Receita do Amor’ exemplificam com um caso: Imagine que vê o seu parceiro ou parceira a mexer no telemóvel e este diz-lhe ‘Oh, este é um artigo interessante’. Há três respostas possíveis a este pedido de interação:

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1- Voltar-se para o parceiro: Reconhecer o que lhe foi dito e relacionar-se com a tentativa de conexão: “Ai sim? E o que diz? É sobre o quê?”
2 – Desviar-se: Ignorar ativamente o que foi dito ou nem notar que foi feita uma tentativa de comunicação: Continua a fazer o que estava a fazer, a ler um livro, a escrever um e-mail ou a olhar para a televisão.
3 – Voltarem-se um contra o outro – Ficar irritado e começar uma discussão: “Não vês que estou a trabalhar, a tentar fazer alguma coisa?”.

E a primeira opção que deve ser cultivada pelos membros do casal para continuar a construir o afeto de forma constante, bem como um “sentimento de trabalho de equipa”, que ajudama reforçar os laços e as fundações de qualquer relação.

Estabelecem os psicólogos que, mesmo sendo impossível adotar sempre esta comportamento de se voltar para o parceiro, os estudos feitos mostram que os casais juntos há pelo menos seis anos adotavam esta atitude 86% das vezes. Já os casais divorciados só o faziam em um terço das ocasiões.

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Como treinar o comportamento correto a adotar numa relação?
John e Julie Schwartz Gottman dão exemplos de alguns ‘exercícios’ que podem ser fetos para se habituar a “voltar-se” para o parceiro.

1 – Tirar 10 minutos para uma ‘avaliação’
Escolha com o parceiro ou parceira uma altura do dia, em que ambos estejam calmos e sem pressa, e tirem 10 minutos para perguntarem um ao outro: “Precisas de alguma coisa de minha parte hoje?”. Assim, ambos refletem as necessidades que cada um tem na relação e cria expectativas de que, mediante a resposta, o outro lado vai tomar uma posição positiva. Devem depois ambos fazer um esforço para suprir as necessidades da outra parte, seja fazer o jantar, cuidar das crianças ou tirar um fim de semana para passearem os dois.

2 – Tomar atenção aos sinais
Nem sempre o parceiro ou parceira vai querer vocalizar o que precisa na relação ou que necessita de um momento de conexão. Os autores descrevem que, por isso, devemos estar atentos a alguns sinais, como se fossem “moedas”, que vamos colecionando para atingir a ‘fortuna do amor’: contacto visual, sorrisos, suspiros, pedidos de atenção, dizer “bom dia” ou “boa noite”, pedir um favor, ler algo alto, apontar para algo que estão a ver, chamar o seu nome a partir de outra divisão, parecer triste ou em baixo, carregar um peso sozinho, mostrar-se frustrado, são tudo pontos a ter em atenção, para aproveitar a oportunidade de se conectar ao parceiro.

3 – Não desistir ao primeiro obstáculo
Nem sempre ambos os elementos do casal têm disponibilidade emocional para se conectarem ao mesmo tempo. Por isso, garantem os psicólogos, é preciso saber não desistir e saber como responder.
Se lhe fazem um pedido e não pode responder no imediato, diga “adorava ouvir o que tens para dizer, mas tenho de fazer x agora. Podemos falar já a seguir, assim que acabar?”.
Se faz um pedido e não tem resposta, continue a insistir, pouco a pouco a cada dia. Se se tornar num hábito, devemos perguntar e tomar o primeiro passo: “Não quero criticar-te, mas tenho-te pedido atenção e não me respondes. O que está a acontecer?” – Pode ser que o seu parceiro esteja ocupado, stressado ou assoberbado e até queria desabafar.
Se um pedido é feito de forma negativa, como se estivesse a querer criar uma discussão (por exemplo: “Custava-te assim tanto fazeres o jantar uma vez?”), ignore a negatividade e responda afirmativamente, mas com o seu pedido de reforço de laços ‘escondido’: “Percebo que estejas cansado/a. Terei todo o gosto em fazer o jantar e dar-te algum descanso”.

Garantem os especialistas que estes ‘exercícios’ ajudam qualquer relação,” seja uma que está a começar, uma em que ambos pensam o que virá a seguir, ou uma relação em que estão casados há 50 anos”.

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