As seis maternidades propostas para fecho são responsáveis por menos de 8% dos partos em Portugal em 2021 – em particular, a maternidade do hospital de Castelo Branco fez 317 partos, a da Guarda, 474, e a de Famalicão 979. A do Barreiro fez 1.403, a da Póvoa de Varzim, 1.470, e a de Vila Franca de Xira, 1.564.
Este terá sido um dos critérios utilizado pela Comissão de Acompanhamento de Resposta às Urgências de Ginecologia/Obstetrícia para propor mudanças: o grupo de peritos “identificou seis hospitais onde tecnicamente foi considerado seguro que o bloco de partos e urgência de ginecologia pudessem ser divergidos para outra instituição que ficasse mais perto com base numa série de critérios, como o número de partos, a distância e os cuidados intensivos neonatais”, explicou, ao jornal ‘Público’, Diogo Ayres de Campos, coordenador da comissão, ressalvando que a “a decisão sobre encerramentos cabe aos políticos”.
A proposta do grupo de peritos tem gerado bastante polémica e já obrigou o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, a colocar água na fervura: em entrevista à RTP, o responsável garantiu que uma “eventual” decisão” só será tomada no início do próximo ano. “Não posso responder se vão ou não encerrar, vamos fazer uma avaliação”, referiu, explicando que a decisão passará pela direcção executiva do SNS comandada por Fernando Araújo.
Miguel Guimarães, bastonário dos médicos, classificou a situação como “lamentável”, criticando a divulgaçao de “uma informação deste tipo parcialmente, sem se saber critérios nem fundamentação. O assunto não pode ser tratado desta forma”, explicou, “sendo divulgado através de entrevistas atrás de entrevistas onde se lançam algumas pistas, em que muitas nem sequer fazem sentido. Chegou-se a um limite: divulga-se que há umas maternidades que podem encerrar sem mais nenhuma informação”, acusou, em declarações ao ‘Diário de Notícias’.
Carlos Cortes, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, garantiu que a indecisão sobre as maternidades “está a criar um clima de alarme social, de intranquilidade e de grande insegurança quer junto dos profissionais quer dos utentes”, apontou. “Tenho recebido imensos telefonemas de colegas, que ficaram perplexos com a informação, e de utentes, que querem saber se a unidade em que são acompanhadas vai continuar aberta ou não.”







