A Rússia está a ficar sem armas na sua guerra na Ucrânia e os custos para o Kremlin são “impressionantes” em termos de soldados mortos e equipamentos perdidos, garantiu esta terça-feira o chefe da espionagem do Reino Unido. Sir Jeremy Fleming, responsável do GCHQ (Government Communications Headquarters), num raro discurso público, garantiu que as forças armadas da Ucrânia estão “a virar a maré” no campo de batalha físico e no ciberespaço.
No entanto, o foco britânico está na China e o responsável garantiu que Pequim procura explorar tecnologias no espaço e online de forma a que possam representar uma “grande ameaça para todos nós”. Em particular, o potencial do Governo chinês em atingir satélites dos oponentes num momento de conflito, prejudicando um domínio crucail usado pelos militares para lançar armas ou comunicações. Avisou ainda que o Partido Comunista Chinês está “a aprender as lições” da guerra da Rússia na Ucrânia, que motivou diversas sanções à economia russa.
Assim, Pequim poderá usar moedas digitais para rastrear as transações das pessoas e proteger a economia chinesa do tipo de sanções que foram aplicadas ao regime de Vladimir Putin.
Sobre a Ucrânia, num discurso no Royal United Services Institute (RUSI) em Londres, o diretor do GCHQ abordou a invasão, considerando a tomada de decisões do presidente russo, Vladimir Putin, de “falha”, após o fracasso em tomar Kiev nos primeiros dias do conflito. “É uma estratégia de alto risco que está a levar a erros estratégicos de julgamento”, apontou Jeremy Fleming. “Os seus ganhos estão a ser revertido. Os custos para a Rússia – em pessoas e equipamentos – são impressionantes. Nós sabemos – e os comandantes russos no terreno sabem – que os seus abastecimentos e munições estão a acabar.”
“As forças da Rússia estão esgotadas. O uso de prisioneiros para reforçar, e agora a mobilização de dezenas de milhares de recrutas inexperientes, é indicador de uma situação desesperadora. Estão a fugir do recrutamento, percebendo que não podem mais viajar. Sabem que o seu acesso a tecnologias modernas e influências externas será drasticamente restringido. E eles estão a sentir a extensão do terrível custo humano”, apontou.








