Exemplar raro de moeda de ouro portuguesa do séc. XV vai esta manhã a leilão no Reino Unido

Segundo a Casa da Moeda, o ‘Português’ de D. Manuel I foi a moeda portuguesa de maior circulação mundial devido à importância do país em termos comerciais na época

Francisco Laranjeira

Um exemplar raro da moeda de ouro portuguesa do século XV vai estar esta manhã em leilão, em Londres – foi encontrada, pela primeira vez, em território britânico e está avaliada, pela leiloeira Noonans, entre 22,4 e 33,6 mil euros. A moeda que Vasco da Gama levou para a Índia foi descoberta por um praticante amador de ‘detetorismo’.

A moeda foi encontrada no início de julho por Mick Edwards, de 62 anos, num turismo rural em Etchilhampton, a cerca de 150 quilómetros oeste de Londres, próximo da cidade de Bath, onde estava a celebrar os 35 anos de casamento. O funcionário público estava a testar o detetor de metais num campo antes do pequeno-almoço, por volta das 6 horas, quando recebeu um sinal e após escavar um buraco de 25 centímetros encontrou a moeda de ouro, que tem 36 milímetros de diâmetro e pesa cerca de 35 gramas.

“Fiquei estupefacto e fiquei sentado a olhar para a moeda incapaz até de respirar. Consegui ver a cruz na moeda e pensei que era provavelmente espanhola, mas mais tarde descobri que era portuguesa do rei chamado Manuel”, contou, citado num comunicado da leiloeira.

Segundo a Casa da Moeda, o ‘Português’ de D. Manuel I foi a moeda portuguesa de maior circulação mundial devido à importância do país em termos comerciais na época. Cunhado em ouro quase puro, terá sido produzida com ouro trazido para Portugal das viagens a África e Índia.

Nigel Mills, especialista da Noonans, garantiu que “em Inglaterra, nessa altura, a maior moeda de ouro era um ‘Soberano’ que pesava 15,3 gramas, pelo que esta moeda é mais do dobro do peso, pelo que teria um valor superior a duas libras”.

Continue a ler após a publicidade

O facto de ter sido descoberta no Reino Unido surpreendeu Javier Salgado, numismata e fundador da Nunisma Leilões há 47 anos. “É muito rara. Não tenho informação de ter aparecido outra assim fora de Portugal”, apontou, prevendo que atraia licitações de colecionadores acima das estimativas mais altas, devido ao bom estado de conservação.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.