Aliados próximos de Putin manifestam preocupação com “excessos” da mobilização parcial

Duas das figuras políticas mais importantes da Rússia usaram as redes sociais para reforçar as queixas, atribuindo responsabilidade aos governadores regionais

Francisco Laranjeira

Os dois políticos mais importantes da Rússia reforçaram as queixas sobre a campanha em curso de mobilização parcial decretada por Vladimir Putin, ordenando que as autoridades regionais controlassem a situação e resolvam rapidamente os “excessos” que têm alimentado a ira do povo russo.

A decisão de Putin de ordenar a primeira mobilização militar da Rússia desde a II Guerra Mundial desencadeou protestos em todo o país e viu muitos homens em idade militar fugirem. Vários relatórios apontam ainda para pessoas sem serviço militar estarem a receber convocatórias, ao contrário da garantia deixada pelo ministro da Defesa, Sergei Shoigu, de que apenas aqueles com capacidades militares ou experiência em combate seriam convocados, o que deixou várias figuras pró-Kremlin a expressar a sua preocupação publicamente.

Os dois principais responsáveis políticos da Rússia, ambos aliados próximos de Putin, abordaram explicitamente a indignação pública pela forma como a campanha de mobilização estava a desenrolar-se. Valentina Matviyenko, presidente do Senado russo, garantiu estar ciente de relatos de homens que deveriam ser inelegíveis serem convocados para alistamento. “Esses excessos são absolutamente inaceitáveis. E considero absolutamente certo que estejam a provocar uma forte reação na sociedade”, escreveu, na rede social ‘Telegram’.

Numa mensagem direta aos governadores regionais da Rússia – que ela disse ter “total responsabilidade” pela implementação da convocação – apontou: “Depois da assinatura do respetivo decreto, o Ministério da Defesa tornou públicos os critérios para a seleção das pessoas chamados para as fileiras”. Uma questão tão “sensível não deveria haver lugar a várias interpretações e lacunas para a aplicação subjetiva” do decreto de mobilização.

Também Vyacheslav Volodin, presidente da Duma Estatal, câmara baixa da Rússia, também expressou preocupação em um post separado. “Se um erro for cometido, é necessário corrigi-lo… As autoridades em todos os níveis devem entender as suas responsabilidades”, criticou.

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As autoridades garantem que mais 300 mil russos serão convocados para servir na campanha de mobilização para a Ucrânia. O Kremlin negou duas vezes que realmente tenha planos de recrutar mais de um milhão de pessoas. Diversos grupos de direitos humanos garantiram que já houve mais de 2 mil detidos em comícios contra a mobilização em dezenas de cidades.

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