Os dois políticos mais importantes da Rússia reforçaram as queixas sobre a campanha em curso de mobilização parcial decretada por Vladimir Putin, ordenando que as autoridades regionais controlassem a situação e resolvam rapidamente os “excessos” que têm alimentado a ira do povo russo.
A decisão de Putin de ordenar a primeira mobilização militar da Rússia desde a II Guerra Mundial desencadeou protestos em todo o país e viu muitos homens em idade militar fugirem. Vários relatórios apontam ainda para pessoas sem serviço militar estarem a receber convocatórias, ao contrário da garantia deixada pelo ministro da Defesa, Sergei Shoigu, de que apenas aqueles com capacidades militares ou experiência em combate seriam convocados, o que deixou várias figuras pró-Kremlin a expressar a sua preocupação publicamente.
Os dois principais responsáveis políticos da Rússia, ambos aliados próximos de Putin, abordaram explicitamente a indignação pública pela forma como a campanha de mobilização estava a desenrolar-se. Valentina Matviyenko, presidente do Senado russo, garantiu estar ciente de relatos de homens que deveriam ser inelegíveis serem convocados para alistamento. “Esses excessos são absolutamente inaceitáveis. E considero absolutamente certo que estejam a provocar uma forte reação na sociedade”, escreveu, na rede social ‘Telegram’.
Numa mensagem direta aos governadores regionais da Rússia – que ela disse ter “total responsabilidade” pela implementação da convocação – apontou: “Depois da assinatura do respetivo decreto, o Ministério da Defesa tornou públicos os critérios para a seleção das pessoas chamados para as fileiras”. Uma questão tão “sensível não deveria haver lugar a várias interpretações e lacunas para a aplicação subjetiva” do decreto de mobilização.
Também Vyacheslav Volodin, presidente da Duma Estatal, câmara baixa da Rússia, também expressou preocupação em um post separado. “Se um erro for cometido, é necessário corrigi-lo… As autoridades em todos os níveis devem entender as suas responsabilidades”, criticou.
As autoridades garantem que mais 300 mil russos serão convocados para servir na campanha de mobilização para a Ucrânia. O Kremlin negou duas vezes que realmente tenha planos de recrutar mais de um milhão de pessoas. Diversos grupos de direitos humanos garantiram que já houve mais de 2 mil detidos em comícios contra a mobilização em dezenas de cidades.







